roberto's profilejJ. ROBERTO DE CARVALHO ...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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June 19 Insanidade ou paixãoSegundo Spencer, a paixão é a mais intensa e inebriante insanidade passional inerente ao caráter humano. Surpreende-nos quando se manifesta num pleno estado de paz impregnando em nossas almas, ceifando-nos do incorpóreo e cristalino trancendentalismo espiritual com suas escuras e brumosas núvens de irracionalidade infrene do desejo possessivo. Com a paixão vêm as tempestades de lágrimas, a insensatez das súplicas, do desespero, da exaltação desmedida, do delírio frenético, do ódio exasperado, dos conflitos silenciosos e do silêncio ensurdecedor da solidão. Libertam-se os primitivos e indomáveis imperativos animalescos que se encontram latentes nos mais longínquos e profundos recônditos do intelecto e da razão humana, da índole selvagem originada nos priscos do surgimento da criatura humana e da sua estrutura emocional e insipiente, do desenvolvimento configurativo concernente ao seu pragmático conteúdo intelectual. Ainda, sob a ótica conceitualística de Spencer, a paixão é a síntese de todas energias metafísicas e além corpóreas da espécie humana, manifestando-se com intensidade elevada,nas mulheres com o perfil de Afrodite. Estamos falando da Vênus Afrodite, esta que nasceu segundo a mitologia grega, das espumantes ondas do mar, nua e pura, e cuja sensualidade manifestou-se em constante e afetuoso carinho dinamado de sua romântica e ardente sexualidade ...
Outras são, vênus lascívias, das quais o amor traspira em ígnia e insana estupidez amorosa, dos sonhos e delírios do desejo de que uma longa fila de amantes no cio, assim como em os ceiferos que DÀnúzio descreveu com extrema fidelidade e riqueza de detalhes em "A filha de Jônio". Finalmente, as vênus que personificadas na pandêmica luxúria, facilmente acessível a todos que se dispuserem de fortunas incalculáveis para financiar seus prazeres carnais sobre um esplendoroso gobelim. Tais afrodites , como disse o poeta, "sentem toda amultidão da estrada desfilar sobre seus corpos..."
Falando sobre FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT
Citação FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT July 29 FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT
FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANTF Heterônimo é o nome de uma personagem imaginária a quem, o autor ou escritor usa para assumir a autoria de sua(s) obra(s), com características e conceitualizações diferenciadas da sua real visão de mundo. Os heterônimos de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro campos ) além de muitos outros, tal como Bernardo Soares. Nos caminhos não só poéticos de Fernando Pessoa, encontraremos o porquê desses heterônimos, suas origens, causas e efeitos , objetivo ao qual se propôs o verdadeiro autor, bem como, os seguimentos delineados e pontualizados explicitamente pelo poeta ao longo dos meandros labirínticos de suas obras. Provavelmente Fernando pessoa quis preencher o vazio do mundo abiótico do seu relacionamento pessoal com alguns amigos imaginários com os quais mantinha um diálogo transcendentalista, a discutir as convicções e de suas realidades e das óticas existenciais do mundo de cada um, mesmo aqueles que pairavam além do seu universo físico e o da transcorporalidade.
ALBERTO CAEIRO Sou um guardador de rebanhos, O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos, sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso, quando num dia de calor Sinto-me triste de gozá-lo tanto. E me deito ao comprido na erva, E fecho os olhos quentes, Sinto todo meu corpo deitado na realidade, Sei a verdade e sou feliz.
CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTE POEMA Do tomo Dois de “COMO LER FERNANDO PESSOA” “Nesse poema simples e claro, Alberto Caeiro nos expões sua postura em relação à realidade que o circunda: seu conhecimento da Natureza e do mundo é obtido por meio dos sentidos; seu pensamento é justamente o conteúdo de suas emoções. Assim, viver é simplesmente sentir: a felicidade consiste em “deitar-se ao comprido na relva”, a fim de sentir o próprio “corpo deitado na realidade”. Fernando Pessoa diz ter colocado em Alberto Caeiro “todo seu poder de despersonalização dramática”. Se você considerar que a atividade mental de Pessoa foi sempre lúcida e racional, poderá perceber o alcance dessa afirmação. Afinal, deve ter sido extremamente difícil para um homem do nosso tempo, comprimido por séculos de racionalismo, criar e sustentar um poeta cuja visão de mundo não era visão de mundo, e sim sensação de mundo.
Não me importo com rimas. Raras vezes Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra. Penso e escrevo como as flores têm cor Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me Porque me falta a simplicidade divina De ser todo só o meu exterior... Olho e comovo-me Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado, E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...
Poesias, como o fluir espontâneo do levantar do vento. Nota-se um conteúdo de insatisfação na alma do poeta por não conseguir ser tão expressivo como as flores. Pois não consegue conter o avanço do seu exterior para o além das fronteiras do seu interior. Queria ser ele sensações imunes à intelectualidade do racionalismo. Não consegue o poeta despir-se dos hábitos da racionalidade...
ENTENDENDO KANT A sensação de mundo de Fernando pessoa corresponde ao empirismo de Emmanuel Kant. Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, por que, com efeito, como haveria de se exercitar a potencialidade cognitiva inteligível, se não fosse pela percepção das sensações que se nos oferece o meio ao nosso entorno, estimulando a nossa estrutura neuro/moto/sensorial para a correta dedução, comparação e seleção dos objetos, produzindo assim valores representativos e significativos de uma visão do mundo real das sensações, das causas e dos efeitos perceptíveis à nossa compreensão “a priore” e empírica. Deitar-se sobre a relva e sentir a realidade, nada mais é do que, uma experiência empírica e a sensação de mundo que dizem respeito à leitura interpretativa, analítica e crítica da nossa sensoralidade equacional na comparação dos valores característicos de uma seleção de valores intuitivos, quanto a sensação de realidade... O questionamento de que, seria possível um conhecimento espontâneo e independente do universo da dinâmica empírica paralela e independente das impressões dos sentidos, lança-nos de encontro ao conceito Kantiano do “A priori”, sendo essa conceitualização a denominação aplicada ao provável conhecimento independente e espontâneo (conhecimento anterior ao conhecimento posterior do empirismo). Assim como um algoritmo que serve de regras normativas de procedimento e interpretação para a compreensão de uma equação matemática, preservando-se as impossibilidades universais da inexatidão das inequações. Sendo assim, essa expressão algébrica, tal como a expressão e representação das sensações de mundo não são abrangentes à todos os segmentos conceituais dos significados da questão proposta, senão porque, há conhecimentos que deveriam, independente da experiência, isto é, pelo senso comum, servirem de via de regra, mas sem ser rotulados de “a priori”; portanto, consideremos “a priori” todo conhecimento adquirido independentemente de qualquer experiência, digamos pois, se encontrarmos uma proposição que tem que ser pensada com caráter de necessidade, tal proposição é um juízo de valor “a priori”, mas se além disso não possui raízes de origem, e só se concebe por si mesma como necessária, será então fundamental e absolutamente “a Priori” A seguir, sabemos que a experiência não fornece nunca juízos de valores universais sobre a verdade e a realidade, com a exata e rigorosa exatidão científica, declinando assim, para a generalidade conceitual indutiva, portanto, não se caracterizando como “a priori”, gênero tal que, não admite qualquer exceção para a inexatidão existencial. Assim como o disco rígido do computador é programado por diretrizes e normativas protocolares algoritimizadas para as funções iniciais de comando (Boot), também o é nosso cérebro, detentor de certos princípios sensoriais que orientam nossa cognição para a exata dedução de causas e feitos da universalidade de valores constantes nas comparações das observações dos fenômenos similares, manifestando então a teoria científico-filosófica de Emmanuel Kant.
Entendo eu, quis Fernando Pessoa, fugir do universo épico de uma só personagem autora criando-se suas derivações personalizas, configuradas desde de um intelecto em conflito com alguma dualidade entre a racionalidade do seu interior transcendental e seu exterior metafísico, entre suas sensorialidades emotivas interiores, e suas sensações do real exato externo... J. Roberto de Carvalho http://poetasefilosofos.blig.ig.com.br http://serphiuns-historiasfantasticas.blig.ig.com.br Faça seu blog, no Ig – ciências – poetas & filósofos
July 22 LIBERDADE!
LIBERDADE! Surgiu no horizonte um clarão Rendendo à princesa muitas glórias. Extirpando os malditos odiados grilhões, Do céu da nossa história...
Ouviram-se cantos e solenes preces Dos negros escravos já libertados, Correndo livres pelo agreste Em busca dos seus antepassados.
“Neguinho” lépido e ligeiro Embrenhou-se senzala adentro; Sorriso esfuziante em rosto inteiro, Gritou: “Nego Véio!”, tu ta vendo?
Cantou sorrindo e contente, Mostrou seus pés, suas mãos; Contou pra toda sua gente, - Não sou mais escravo não!
“Nego Véio” ouviu vós “micê”?! Somos livres finalmente... E então indagou “Nego Véio”: - “E agora, o que vai sê dessa gente?
Pra que o canto e tanto riso, Se nada aqui vai “mudá.” Sô “véio”, mas tenho juízo; Aqui é meu “lugá...”
Levantando-se com dificuldade “Nego Veio” se pôs a andar Curvado em seu próprio peso Mal podia caminhar.
Contrastando a pele morena, Os cabelos já bem grisalhos, E centenas de rugas pequenas Marcando o cenho fechado.
Andar vacilante e trôpego, Passo cambo e já cansado; O ar lhe faltava no peito, Sentou-se pra descansar.
- “Liberdade veio tardia “Nego Véio” não vai se “importá”, Cego, não vejo o dia, Não vou a nenhum “lugá”...
J. Roberto de Carvalho (09/09/99) http://poetasefilosofos.bli.ig.com.br http://serphiuns-históriasfantasticasbli.ig.com.br
July 17 Sonhos napoleônicos - MITOS OU LENDAS?
Sonhos Napoleônicos – MITOS OU LENDAS? Reunindo dados históricos existentes sobre Napoleão, surpreende-nos, algumas atitudes desse general, como falhas de caráter, senso de justiça e aversão às regras do jogo do poder. Apesar de ser um aficionado no jogo de xadrez, era um péssimo jogador e perdedor. Estrategicamente, suas partidas se desenvolviam pela mentalidade do general que atacava pelo meio para dividir a força adversária, mas os ataques eram mal planejados e lhes acarretavam seguidas derrotas. Longe de estabelecer um juízo de valor sobre seus defeitos e qualidades, mesmo porque, todas as informações e opiniões sobre a maioria das personagens históricas, advêm de obras literárias elaboradas pelo crivo crítico subjetivo de meros historiadores. Seus livros são confiáveis? Provavelmente não poderemos colocar sob a ótica de qualquer tipo de suspeita os dados que aqui vamos expor, pois os mesmos tiveram origem na convivência da condessa Claire de Rémusat, dama de honra de Josefina, esposa de Napoleão, com a vida íntima do casal do qual era contemplada com toda confiança e simpatia. Em seu livro “As memórias da Condessa Claire de Rémusat”, a Condessa narra alguns fatos sob a ótica e o crivo da isenção, fundamentados na sua notável beldade, raros portentos morais e intelectuais e senso de justiça honesta, características das pessoas inteligentes e bem estruturadas intelectualmente. No entanto, absolutamente fiel a Josefina e a Napoleão, jamais escondeu sua desaprovação quanto às personagens das quais, Napoleão se cercava – homens corruptos, vulgares e imorais... Senhora de Rémusat descreve seu terror e desespero quando Josefina, com ar desconsolado lhe confiou que Bonaparte acabara de informar-lhe que mandara chamar o jovem Duque d’Enghien, e que este teria de pagar com a vida, sua participação em certas atividades rebeldes sobre as quais haviam sido encontradas algumas provas. Inúteis foram as argumentações de Josefina a favor do duque. Napoleão lhe disse rudemente que parasse de falar sobre o assunto. Na política, disse ele, uma morte que traga a paz não é crime (Cui finis licitus, etiam media sunt licita) O fim justifica o ato.
“MESTRE SOL” Sun Tzu, que na língua chinesa significa “Mestre Sol”, Foi um comandante chinês, também conhecido pelo nome de Sun Wu e Sun Tzi. Imagina-se que tenha vivido de 544 a 496 a.C. e que nasceu num estado nortenho de Ch’I, atualmente chamado Shangdong. Os textos originais sobre este comandante, conhecidos, editados e publicados como A Arte da Guerra, foram escritos, supõe-se, por volta de 510 a.C., quando Sun Tzu teria em torno de 46 anos de idade. Sabe-se; também que, houve adições nos textos originais de conteúdo atribuído a outro Sun; Sun Ping, um descendente direto de Sun Tzu, além de prováveis alterações e adaptações, pois que, ainda não foi encontrado nenhum manuscrito de autoria de Sun Tzu; e também nada consta sobre ter ele pertencido, como membro, à Aristocracia chinesa. Ganhou experiência em sua atividade mercenária como guerreiro comandante, tradição essa que se estendeu até seu descendente Sun Ping, o que faz supor que o mesmo tenha sido um membro do shih. O shih foi uma célula da aristocracia chinesa que tinha perdido suas terras e, como conseqüência disso, a maioria dos seus membros assumiu uma vida quase nômade, indo de uma região para outra, deixando a vida acadêmica em busca de trabalho como tutores entre as famílias mais abastadas e poderosas da China daquela época. O rei de Wu – Helu ou Ho Lu leu seu livro, A Arte da Guerra e se impressionou com as habilidades do comandante. O rei convocou-o para uma audiência – único relato registrado sobre sua vida – para que demonstrasse suas reais habilidades, como comandante; transformar as concubinas da corte em guerreiras... Sun Tzu aceitou o desafio e dividiu as concubinas em dois exércitos, iniciando os treinamentos com os ensinamentos sobre a marcha dos soldados. Mas ao chegar o momento de instruí-las com os tambores, algumas das concubinas começaram a rir descontroladamente. De acordo com sua doutrina, Sun Tzu preconizava que a ordem tinha que ser bem clara para ser entendida e executada, e esse entendimento era de responsabilidade do seu comando. Repetiu as instruções, mas as mulheres começaram a rir com o sentido de galhofa. Sun Tzu, sem titubear ordenou a execução de uma mulher de cada exército, foram decapitadas, entre elas a preferida do rei Ho Lu, que não pode reclamar, pois havia dado carta branca ao desafiado. Em pouco tempo Sun Tzu tinha sob seu comando, um exército de mulheres guerreiras imbatíveis... O princípio de que não se transforma sem quebrar antiga estrutura; ou não se faz omelete sem quebrar os ovos é o elo mais forte entre os dois comandantes – o francês e o chinês – senão vejamos. Sun Tzu viveu num período onde floresceu o brilhantismo das idéias filosóficas, principalmente as de Confúcio, que acreditou na hierarquia do sistema “deixa o soberano ser soberano e o súdito ser súdito”, porém concluiu, o um rei precisa ser justo e virtuoso para governar corretamente. Podemos constatar que os princípios éticos e morais nortearam o caráter de Sun Tzu. Quando se supõe que a causa de um rei ou comandante seja mais justa do que a do inimigo ou adversário, é corretamente ético procurar apoio em seus empreendimentos bélicos. Sun Tzu confundia o inimigo com sua filosofia de explorar os enganos da conduta adversária. Não se tem absoluta certeza do número correto de soldados que compunham seus exércitos, mas seus inimigos tinham sempre a impressão de estarem lutando contra uma força descomunal. “O objetivo não é aniquilar seu inimigo, mas conquistá-lo. Assim como a água penetra a terra, podemos com nossa mente penetrar o espírito e a mente inimiga e trazê-la para o nosso lado”
Sem dúvida nenhuma, o conceito filosófico dos fins justificarem os meios não caberia em “Líber de Moribus Hominum et Officius Nobiliun (o livro dos costumes do homem e dos ofícios dos nobres ) no sarcasmos de suas anedotas e sutilezas maliciosas das almas irreverentes e espiritualidades hilariantes, copiado por eclesiásticos e eruditos de todas as partes do planeta, tema deste livro, de conteúdo filosófico a respeito do jogo de xadrez. Existiram outros napoleões, o da bomba de Hiroshima por exemplo, o do holocausto etc., todos com a mesma falha de caráter: insensibilidade humana e ânsia de poder. Aplicavam-se ai as “sábias palavras” de um ditado latino – “Res modo formosae foris, intus erunt maculosae” – Cruz no peito, diabo nos feitos.”, Ex damno alterius, alterius utilitas ( A morte de um, é o remédio para a vida de muitos). “Todos esses ditados são argumentos que solidificavam a filosofia de que, uma parte do todo, não contemplará a glória da vitória e da conquista do objetivo e do bem maior, mas com certeza, seriam lembrados como elementos preciosamente fundamentais para a grande jornada e a conquista do sonho e do bem comum idealizado” pelos depostas sanguinários... Os sonhos não são propriedades exclusivas de uma só mente, de um só coração...
UM GRANDE SONHO NÃO SE SONHA SOZINHO - “O limite do homem é o limite de seus sonhos”, esta frase é de autoria de John F. Kennedy (Acredito que se referiu ao homem como espécie e humanidade) e que esta frase seja um conceito resumido de todo conteúdo convicto de Kennedy, que se refere a sonhos. Pois somos o que sonhamos, e possuímos o caráter e a alma do tamanho dos nossos sonhos, portanto, nossos sonhos devem transcender as fronteiras da corporalidade. Mas não podemos simplesmente sonhar, temos que realizar, e realizar potencialmente alto, mas tudo começa com um sonho, um desejo, e continua com nossa determinação e disposição para materializarmos nossos sonhos. E para que isso possa se transformar em realidade torna-se imperativo que acreditemos, em primeiro lugar, em nós mesmos, e que esse sonho não seja individual, seja nosso, porque quando sonhamos juntos, o sonho é uma realidade. Ninguém deveria sonhar o sonho de outra pessoa, pois não seria algo genuíno, verdadeiro e forte, mas todos devem sonhar o sonho de muitos, caso contrário, haveria poucas chances de se realizar, mas, se por ventura um sonho individual se realizar, provavelmente não traria realização plena.
J. Roberto de Carvalho – serphiuns@ig.com.br – jerrece@hotmail.com – http://poetasefilosofos.blig.ig.com.br – http://serphiuns-históriasfantasticas.blig.ig.com.br
July 11 SERPHIUNS, O GUARDIÃO
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SERPHIUNS O GUARDIÃO Há cerca de aproximadamente vinte e cinco dias, um homem aparentando cerca de cinqüenta anos, barba por fazer e uma gravata de cor azul desbotado, suja e nó quase desfeito repousava sobre uma camisa que já fora branca, hoje, amarelada pelo uso excessivo, e com o colarinho enegrecido pelo contato com um corpo que não se submetia ao conforto de um banho relaxante há um longo tempo. Aquele quase mendigo por onde passava deixava no ar um mau cheiro sudorífico insuportável exalado de um paletó surrado, amarrotado e impregnado de manchas de sujeira. Entrou num hoteleco de quinta ou nenhuma categoria em busca de hospedagem, numa região conhecida por “cracolandia”, muito freqüentada por viciados e traficantes de drogas “pesadas”, entre elas, a maior parte – o “craque” – um alucinógeno químico clandestino da pior espécie. Na boca m cigarro quase que retorcido, fala pausada e voz poderosamente tonitruante, aproxima-se do rapaz que se encontra na recepção, alto, magro, moreno, trejeitos femininos, que ao notar a presença da figura estranhamente miserável disse: se for quarto o pagamento é adiantado, vinte e cinco por dia; banho somente até as nove da matina e sem direito a desjejum. Aqui pelas redondezas existem muitos botecos onde se pode tomar um café com leite - acrescentou – vou abrir uma exceção pra você que está fedendo gambá, que me perdoem os gambás! Por favor, tome um banho que isso aqui é uma pocilga decente. O homem não respondeu e continuou a preencher a ficha de hospedagem. – Seu quarto é o vinte e um, fica a esquerda do corredor no final da escada; no terceiro andar, concluiu o hoteleiro... O hóspede pegou a mochila que havia deixado sobre o balcão, olhou fixamente para o recepcionista advertindo-o: - Não estou hospedado nesta pocilga e o senhor nunca me viu! Em seguida estendeu a mão na direção do rapaz e lhe deu uma nota de cinqüenta. Subiu a escada desaparecendo no corredor escuro, mas antes respondeu a última pergunta do recepcionista: Se eu nunca o vi, porque preencheu a ficha? - Se eu partir pra uma melhor use-a como achar melhor!
Sou um idiota mesmo, garanto que a ficha é “fria”; esse cara deve ser uma "chave de cadeia"! Seth, era esse o nome daquele eslovaco que à primeira vista não passava de um farrapo humano fracassado, mas que, na realidade, tratava-se de um cientista brilhante que, num passado próximo desfrutava de inestimável prestígio no colegiado científico das eventuais secretas, das quais participou com inquestionável competência. No presente momento, mais que motivo de força maior, era de imprescindível necessidade de preservação existencial as suas andanças sub-répteis pelo indesejado e vergonhoso mundo do anonimato. O cientista caminhou até a terceira porta à direita do corredor mal iluminado, imundo, com um odor característico de construção desabitada; é que na maioria das construções abandonada, geralmente usada pelo submundo para as suas necessidades fisiológicas, ou não, ficam sem qualquer manutenção de higiene. Enfiou a chave buraco adentro da fechadura e empurrou a porta que rangiu sobre os gonzos enferrujados. Foi tal o ruído, que parecia um ente fantasmagórico a cumprimentá-lo – “olááááááááááááá” . Tirou um lenço todo amarrotado do bolso do paletó enum gesto de repugnância, levou- ao nariz para não aspirar o ar pútedro que exalava desde o interior do aposento um fétido cheiro de urina e vômito. Ficou estático e indeciso. Estendeu a mão sobre o interruptor, acendeu a lâmpada que não iluminava mais do que a chama de uma vela; eu o primeiro passo e percebeu uma meia dúzia de baratas correndo assustadas com o rugido nervoso produzido pelo velho assoalho de madeira, como se houvesse alguém apertando os dentes uns nos outros diante da sua cólera humana. Procuraram as fendas das tábuas soltas, os cantos do quarto e o interior do velho guarda-roupa com suas portas entreabertas. A ventilação do quarto era péssima – uma janela de quarenta centímetros quadrados com uma nojenta cortina de plástico. A cama era um exemplar velho, com estrutura metálica toda enferrujada, fora de uso, por ter um estrado de molas barulhentas. Não havia lençol ou travesseiro e sobre o estrado tinha um colchonete de campanha já muito surrado, todo cheio de nódoas, o que o hóspede imaginava, fossem manchas provocadas por vômitos, suor e esperma. A nossa personagem rendeu seu corpanzil cansado ao domínio de um sono profundo, depois de jogar sua mochila num canto qualquer.
Enquanto isso, na Europa, mais especificamente, no sudeste francês, na região da Bretanha – no Golfo de Saint Malo situado no canal da mancha onde se localiza o porto do mesmo nome com seus três ancoradouros dá-se um encontro casualmente inusitado, isso no gueto de um velho burgo intramuros da cidade milenar do século XII e XIII, que empresta o nome ao referido golfo. Dentro dos muros do gueto medieval, envolvido por densa neblina que estendia seu manto brumoso sobre a já quase gélida madrugada, um vulto se movia lentamente por suas vielas e ruas estreitas e assustadoramente silenciosas e timidamente iluminadas por lampiões a gás colocados esporadicamente ao longo do percurso... Diante de tamanho e ensurdecedor silêncio, pairava no ar um clima impregnado de um silêncio misterioso, que impressionaria qualquer ser de espírito religiosamente supersticioso, e que fazia do repicar do solado das botas de tão misteriosa figura, ecoarem estridentes pela noite adentro, invadindo os becos escuros da cidade que transudava encantos míticos e medievais. Tinha-se a impressão do caminhar de um gigante ameaçador! Ao dobrar a esquina mais a frente onde na fachada de uma taberna medieval a iluminação era mais densa, a personagem permitiu se revelar, notada no delinear de um corpo cuja silhueta se revelava esbeltamente feminina. Tratava-se de uma jovem de uns vinte e cinco anos de idade, tipo manequim; um metro e oitenta de altura, massa corpórea com delineamento anatomicamente sensual e longos cabelos dourados a deslizarem esvoaçadamente ombros abaixo, o que lhe conferia uma ingênua e tentadora sexualidade implícita. O vestido longo e negro, finamente confeccionado, configurava à sua figura feminina o porte de uma deusa grega sonhada e desejada por todos os marmanjos e utópicos sonhadores do planeta terra! Chegando à taberna deteve-se na penumbra do minúsculo hall que dava acesso ao salão principal da taberna, onde funcionava um tradicional e secular restaurante, decorado com antiquários da época da sua inauguração, até mesmo os velhos candelabros com suas doze velas cada um... Por alguns segundos se deteve a observar os personagens em seu interior, aqueles que ocupavam mesas sem acompanhante; provavelmente procurava identificar alguém em especial, não demorou a decidir em qual direção seguir. – Vou levá-la até sua mesa jovem Diana, me acompanhe, por favor... Sem responder, e com um caminhar elegante, a jovem acompanhou o mais antigo garçom da casa. Sua mesa estava localizada num lugar estratégico – perto de uma pequena janela com vista angular privilegiada, o que lhe permitia observar com antecipação qualquer movimento fora do restaurante. Pierry, o garçom, no qual Diana depositava total e irrestrita confiança, afastou-se discretamente sem nada perguntar. Cinco minutos depois o garçom retornava com um champanhe que Diana mantinha na adega da casa, juntamente com outros rótulos de sua reserva exclusiva. Não demorou muito até que uma carruagem de algum serviço turístico parasse em frente à taberna e dela descesse um jovem cavalheiro com cerca de quarenta anos trajando um terno escuro, gravata pouco convencional, e sobre o terno um abrigo, também escuro. Cenho cerrado, cabelos escuros com algumas mechas grisalhas, aparência austera, manifestando-se com poucas palavras emitidas por uma voz tonitruante. Caminhou com pouca paciência em direção à mesa de Diana, puxou a cadeira e sentou-se sem qualquer cerimônia e a fitou invasivamente com um par de olhos azul-turquesa. – Não tenho muito tempo, vamos logo ao que interessa e depois me vou... Diana nada respondeu e manteve certa indiferença para aquela atitude grosseira do homem que acabara de sentar-se à sua mesa. Impassiva, ela aguardou que o indivíduo se manifestasse novamente. – E então, qual a informação que você tem para mim? – Desculpa, mas tenho a impressão de que o moço se sentou em mesa errada, está se dirigindo à pessoa errada e já passou da hora de se mandar, estou aguardando meu companheiro, cai fora antes que eu chame a polícia! Toda aquela arrogância se desmoronou num pedido de desculpas. O cavalheiro se recompôs levantando-se e tomando o caminho da saída. Quando ele já havia dado cerca de quatro passos Diana o chamou: Hei moço, quer se sentar, eu sou a pessoa que você veio encontrar, sente-se. Tire seu abrigo e deixa que Pierry o guarde na rouparia, por favor!... O homem de olhar severo não escondeu toda sua irritação com a atitude de Diana e a repreendeu dizendo que aquela era uma atitude infantil, ao que Diana retrucou: E a sua foi uma atitude grosseira, indigna de um cavalheiro... – Tem razão, queira me desculpar, mas não entendo porque essa necessidade de fingirmos não nos conhecer sempre que temos um encontro! Diana continuou ignorando conhecê-lo. – Imagino que o seu nome não é o que me falaste ao telefone, e muito menos não estou interessada no verdadeiro, portanto, a chave que permitirá que entremos em detalhes sobre o assunto que nos traz aqui é a senha, que imagino, Serphiuns tenha te passado, portanto vamos a ela... Dessa vez foi Karanth quem ignorou as observações da jovem. – Essa cidade é estranha, faz-me pensar na Távola redonda, Rei Arthur e seus cavaleiros. – Gosto do silêncio enigmático que existe nesta casa, nessa rua, nas construções milenares. Tudo isso tem o poder de envolver minha sensibilidade emocional. Paira sobre o ambiente certo mistério hórrido e ao mesmo tempo cheio de encantamento. – Faça-me um favor senhorita Diana, não subestime minha inteligência, não faz parte do seu perfil essa demonstração ridícula de romantismo. – Pensei que fôssemos ter um jantar à luz de vela, um nobre tinto para acompanhar um faisão ao forno, e depois, gentilmente você pagaria a conta! – O jantar não desceria e o vinho por certo azedaria diante de tanto sarcasmo: vamos ao que interessa, falemos sobre a informação que tem para me passar, e quanto você quer por ela! – Calma, a noite é uma criança, estamos apenas começando! Acredite, eu sou meticulosamente exigente quanto a um bom restaurante, e essa é uma das melhores cozinhas fora da região central parisiense em matéria de drinks e pratos requintados. O serviço é personalizado e cheio de charme. Você vai gostar... – Bem que me disseram que você é uma jovem de personalidade forte e dominadora, você e seus cães... – Não se preocupe, só aparecerão se eu estiver em perigo, o que não é o caso no presente momento, não é verdade Sr. Karanth? – Não creio nessa fantasia de cães fantasmas, e quanto à senhorita correr perigo, basta não se expor muito afoitamente, concorda? Diana entendia as dissimuladas ameaças de Karanth, mas não demonstrava qualquer tipo de preocupação, pois estava sempre à frente dos seus possíveis algozes em matéria de precauções quanto a sua segurança pessoal. – Sabia você que existem vários relatos sobre os cães negros vistos por várias testemunhas ao longo dos séculos; os povos da Antiguidade afirmavam que eram almas se manifestando em forma de animais e que tinham a missão de auxiliares de feiticeiros, ou porta-vozes de Satã! Dizem que eles geralmente aparecem no crepúsculo e por entre densa neblina. – Me dê um tempo menina, seção terror nesse momento, por favor, temos um assunto sério a tratar... Diana tinha um olhar penetrante, chegando mesmo a induzir seu interlocutor a certa timidez; parecia ler o pensamento de quem ousasse fitar dentro dos seus olhos. Seu perfume tinha uma fragrância inebriante e chegava a sugerir toda uma ductil sensualidade feminina da qual ela, sedutoramente, tinha conhecimento e não deixava de usar para enfeitiçar e encantar os homens... – Vamos pedir, sugeriu Karanth, e já que conhece o cardápio você tem a primazia! – Tudo bem, mas nada de salada de caranguejo kamchaka! – Concordo, foi uma experiência inadequada para aquela ocasião. – Vamos pedir o iraniano Borani Esfanaj, uma pasta de espinafre, um grelhado de esturjão, e um molho branco com queijo típico da região setentrional e um excepcional grand cru classé da Borgonha, pode ser o Domaine de La Rmané e Conti Montrachet 1985, concorda? – Como sabe que eles têm essa raridade aqui na casa? – Eu mesma trouxe, é minha exclusividade. O jantar, apesar do espírito mal humorado de Karanth decorreu num clima amistosamente saudável. A meia noite e quinze minutos o casal deixou o restaurante. Karanth esperou o cocheiro que havia chamado pelo celular. E enquanto aguardavam, Diana contou-lhe o segredo: espero que você esteja certa disso, não posso fracassar novamente, caso contrário estará me vendo com vida pela última vez... Diana sorriu e retrucou: se fracassares não será por minha culpa, pois o que informei a você é verídico. O coche chegou e karanth ofereceu carona à jovem que prontamente recusou. Karanth demonstrou preocupação e advertiu a jovem: É perigoso uma linda mulher vagar sozinha pela madrugada nessas ruas escuras e estreitas. – Não se preocupe, tenho meus guardiões! – Sei, ironizou karanth; os cães negros? – Está ficando esperto meu amigo, embora não acredite no que te contei... Karanth viu Diana se afastar seguida por dois vultos de ferozes cães de proporções físicas descomunais a desaparecerem por entre a névoa da madrugada, e Karanth murmura em movimentos interlabiais: “Diana sempre demonstrou comportamento estranhíssimo, mas magia e bruxaria é coisa nova!” O cocheiro deixou Karanth onde ele havia estacionado seu carro. Nas vielas estreitas, tal qual a ruazinha do restaurante, não transitavam carros, então os coches levavam e traziam os fregueses; Diana chega a seu palacete e perguntou ao seu mordomo se alguém havia ligado. O serviçal respondeu enquanto retirava cavalheirescamente o longo casaco da jovem e o pendura no velho mancebo: Sim, alguém ligou, mas não entendi perfeitamente o nome, algo parecido, ou da família das serpentes... – Seria Serphiuns, Fred? – Isso mesmo senhora, esse é o nome da pessoa que ligou! – Pode se recolher Fred, não vou mais precisar dos seus serviços por hoje. – Obrigado senhora, tenha uma boa noite... Diana não vai dormir; dirige-se para a biblioteca. Acionando alguns comandos, surge um painel à sua frente onde, além de um supercomputador, podem-se notar alguns objetos de operacionalidade complexa e uma imensa tela digitalizada; e ali Diana permanece até o Sol se por. A imensa porta da biblioteca se abre e surge Fredhaerch com uma bandeja e um suculento breakfast. Deixa sobre a mesa de trabalho e se retira em seguida. – Obrigada meu guardião... Enquanto isso, no Brasil... Um mês depois, Nando, o recepcionista atende dois policiais em busca de informações... – Fala “negão”, algum movimento suspeito por aqui? – Em primeiro lugar, bom dia; em segundo, meu nome é Fernando, Nando só para os chegados; em terceiro, negão é manifestação racista e quarto, tudo normal por aqui, sem novidades! – Não folga não Nando, estamos de olho nessa espelunca, advertiu o policial ao sair... Há dois dias o hóspede do quarto 21 não dá o ar da presença, mas Nando não quer despertar a curiosidade dos homens da lei antes de verificar o que está acontecendo. Vai até o 21 e bate à porta, chama pelo hóspede durante um pequeno tempo e resolve abrir a porta; o mau cheiro é insuportável e o homem está estirado e imóvel sobre a cama. Nando desce a escadaria correndo a tempo de chamar os policiais... Quando o corpo do hóspede é tocado, nota-se que está sem qualquer sinal vital; respiração, coração, certo grau de enrijecimento, etc. Todos estão com lenço no nariz, e saem para respirar... Enquanto isso, em Porto Saint Malo Serphiuns volta a telefonar para Diana: – Precisamos nos falar! – Onde você está? – Onde sempre estive! – Te encontro, me aguarde... Era um diálogo cifrado; sem endereço, sem horário. Não poderia haver risco ou hipótese de serem localizados. – Fred, se alguém perguntar sobre “NEO”, diga que ainda é desconhecido. Eu darei o retorno da ligação. – Está bem, assim será feito, mas o que é “NEO” jovem Diana? – Uma marca de café! – Interessante minha jovem, interessante! Fred percebeu que não deveria ter perguntado, tinha sido indiscreto; tratava-se de mais um segredo da patroa... Near-Earth Object (Objeto próximo do planeta Terra) Diana sabia que o sistema não contava com um aparato adequado para detectar e eliminar prováveis riscos de uma possível colisão cósmica entre a Terra e qualquer corpo que estivesse se deslocando pelo espaço rumo ao planeta... Apenas dez por cento de prováveis rotas poderiam ser vigiadas, além de, ter surgido nos últimos dias um novo fator que aumentava a probabilidade de uma surpresa desagradável. Há poucos anos atrás, dois corpos meteóricos passaram próximo do planeta, sendo que um deles foi detectado somente quatro dias após sua passagem. – De onde você veio, ou melhor, onde você estava? Diana deixa seu palacete e vai ao encontro de Serphiuns – Está chegando de onde? – Do Brasil! – Encontrou quem queria? – Não, parece que ele evaporou, ou deram um sumiço no infeliz... – Devem tê-lo mandado para o paraíso! – Provavelmente. – As mais diversas culturas possuem suas maneiras diferenciadas para interpretar ou definir o paraíso; pode ser um pomar cheio de frutos deliciosos; um reino fantástico ou mesmo um estado de espírito elevado a transcender a matéria... – A religião é um raciocínio de pensamentos e concepções paralelas a configurar um senso comum em torno de uma crença; São valores espirituais que transcendem a materialidade da lógica e da razão; declinando para a expectativa rotulada de fé. É um poder cultural regulador de ritos e costumes de povos como os judeus, cristãos, muçulmanos (fiéis das três maiores religiões monoteístas do mundo) voltados para a busca e o reencontro do caminho do paraíso perdido. Não esqueçamos que egípcios, astecas, indianos, budistas, e aborígines australianos, etc., também sonham com o paraíso perdido! – Temos o paraíso dos afrescos de Michelangelo, representado no vigor da sua arte na Capela Sistina; nos versos gregos de Hesíodo, e segue por ai afora, até chegarmos ao panteão do Olimpo, onde alguns homens viviam como semideuses, não precisavam trabalhar e não envelheciam... Colombo chegou ao paraíso no dia 1º de agosto de 1498, na terceira e última de suas viagens. Era o continente hoje conhecido como americano.
DO PARAÍSO AO INFERNO – Esse asteróide que passou sem ser notado, bem próximo do nosso planeta poderia ter causado uma catástrofe de dimensão incalculável, seria o desvio do caminho para o inferno; não conseguiram ou não tiveram condições para detectarem a massa cósmica quando passou mais perto, e a que ameaçou verdadeiramente a vida em nosso planeta... – Em abril de 2002 os cientistas e pesquisadores da NASA, identificaram o NEO com maiores chances de nos atingir. Estimam-se em 0,3% as probabilidades de que isso ocorra; é um impacto previsto para 2880, isso, após várias passagens sem qualquer risco de catástrofe. Convém ressaltar que a cada passagem desse asteróide, sua órbita poderá ser calculada com maior precisão. – Calculamos em cerca de um milhão de asteróides com mais de um quilômetro serpeiam pelo espaço cósmico, e com uma agravante. A não detecção desses dois NEOS que passaram próximo do nosso planeta expõe a verdadeira situação dos nossos astrônomos; que não estão devidamente preparados, ou não estão atentos para eventuais futuras surpresas que possam acontecer. – Essas surpresas são decorrências da enorme quantidade desses corpos viajando por ai, muito embora esse projeto “Guarda Espacial” não possa cobrir com a precisão necessária todo o espaço cósmico. Também se faz necessário levar em consideração os pontos cegos produzidos por determinados e constantes fenômenos óticos. – Estou ciente disso, mas existe outro aspecto a ser considerado e que está passando despercebido pelos astrônomos envolvidos na vigilância espacial. – Aspecto ou detalhe? – Os dois! Há que se pensar nos hipotéticos “buracos de minhoca” que se realmente existirem, nas teorias formuladas, poderão muito bem jogar em nossas caras um desses meteoritos ou qualquer outro elemento componencial cósmico de magnitude imprevisível sem que tenhamos tempo de qualquer de reação! Não podemos esquecer de que há sessenta e cinco milhões de anos atrás, um desses predadores cósmicos varreu a quase totalidade da vida existente no planeta, e poderá ocorrer novamente, aí, adeus paraíso! – Você não me convidou para esse encontro só para falar de hipotéticas concepções. O que realmente está te deixando preocupado? – Perdi contato com Seth, seu transreceptor deixou de funcionar. – Há quanto tempo vocês não se falam? – Desde a nossa última estada na Amazônia, cerca de dois meses. – Isso é mal, algo está errado! – Eu tenho certeza que sim, por isso te procurei... – Vou colocar uma equipe em sua procura, aguarde meu retorno Os dois se despediram e Diana se retirou para rumo e endereço ignorado; Serphiuns permaneceu por mais uma hora e, após dois telefonemas, também deixou o local onde estava...
CÉRBERO E VERÔNICA Diana vai ao encontro de Cérbero, outro de seus guardiões. – Como vai Cérbero, sua presença desperta em mim um pouco de ansiedade. – Não é para menos, encontrei Verônica. – E então? Sente-se, vou detalhar o meu encontro com ela, ou com o que restou da mesma. – Sim, mas antes quero saber se a trouxe. – Sim, eu a trouxe, mas quero te dar conhecimento do que vai encontrar. Tudo bem, conte de uma vez! Vou usar exatamente as formas, o conteúdo e suas palavras contidas em seu diário... Verônica, a guerreira, está semelhante ao retrato de Cecília, a jovem senhora a procura de si, que hoje tão estranha, se apresenta desnuda diante do mundo? Quem foi verônica que ficou na distante lembrança da juventude vencida, que outrora tão aguerrida e de alma vibrante, voluptuosa, ousada, corajosa? Quem foi a mulher cujas mãos fortes dominavam a espada de aço como se fosse um raio, golpeando no ar a fúria inimiga? Mas hoje, na penumbra de seu tenebroso recôndito, refugiada e acuada no terror de um brumoso passado, frágeis mãos entrelaçam-se revelando uma ansiedade covarde que assola sua alma e não lhe permite olhar no espelho temendo enfrentar o real momento. Arrebatou um cálice de absinto, se enveredou na abstração de um devaneio, e num desvario insano de consciência, conspurcou-se ao dissoluto sua “alma santa”. Diletante da divina melodia que insistia em soar no obscuro pensamento, insipiente o branco véu ela rasgou num frêmito suspirar de um tormento. Anos já se passaram desde que, desencantada com a visão dum mundo fétido e num momento infrene afastou-se sorrateiramente num desterro paradeiro onde se ocultou. Foi a fuga da mulher, da companheira e da amante, até que a ausência da guerreira se notou. Cerraram-se então as cortinas do seu palco e silenciaram-se os aplausos após sua última frase e em seu gesto. Dedo em riste, olhar lancinante, entre lábios balbuciou: Foi apenas um sonho, um delírio, mas finalmente terminou... Ali estava ela, irreconhecível! Não era uma mulher, era um trapo, um traste, não havia lembranças ou resquícios da guerreira que fora só restara um pálido rascunho mal elaborado da deidade guerreira. Triste figura opaca e revestida de uma profunda amargura, revelada em seu semblante envelhecido, em seu corpo cambo e definhado. Podia-se ler em sua mente confusa e mergulhada em silenciosas palavras o seu grito desesperado ecoando nos céus do seu imaginário, tinha a conotação amarga de um angustiante pedido de socorro... Em sua indômita juventude tivera a imprudente ousadia de se aventurar em paixões insanas e de acreditar no ingênuo ideal onde o bem combatia o mal. Alguns minutos de silêncio são quebrados por uma voz tumular, trêmula, quase que um fio de lamentação: fui covarde, deveria ter envelhecido junto com ele, viver a existência comum dos mortais; participar e dividir seus sentimentos suas fraquezas, suas expectativas, suas dúvidas e seu tempo biológico, confidenciou-me ela. Sentou-se numa velha poltrona num canto escuro do seu quarto, segurou com suas mãos trêmulas no ar uma taça de espumante já quase vazia; não que tinha bebido, mas o líquido esvaia-se pelas bordas no balancear da taça. Ironicamente me fitou com seu olhar sem vida, sorriu um sorriso fúnebre e bradou um “viva” com requinte e carregado de um mórbido e sarcástico prazer, digno de compaixão... Eu a procurei por um longo tempo e enquanto a procurava, mil cenas se passaram por minha imaginação, mas confesso que não tive a capacidade de ousar tanto; o que encontrara causou-me um choque indescritível; chocou minha capacidade de compreender a razão, por mais forte que fosse o motivo de alguém tão nobre se deixar degradar além do limite do suportável da lógica e de qualquer princípio mínimo e da razão. Seria um ato penitência? Meu Deus! Exclamei angustiado... Por que isso? Você não chegou ao fundo do poço, você chegou ao fundo da cisterna, pois está mais para um monte de merda do que para um farrapo humano! – Vá embora, ordenou verônica rispidamente, vá e não diga a ninguém que me encontrou e muito menos o que viu; respeite pelo menos a memória do que fui, me pediu ela. Verônica não entendera que eu estava ali para levá-la e não para vê-la. Não se tratava de uma vontade pessoal, mas de uma ordem superior. Ocorre que o império queria submetê-la a um julgamento, fazer dela um exemplo. CONTINUA...
July 08 VIDA E MORTEVIDA E MORTE No viço inefável da juventude, No fulgor de um garbo inebriante; Em seu casto e diáfano espírito Adormece o seu ímpeto amante.
Na florescência da verde primavera, Nas planícies alcatifas coloridas, Sob fulgurante sol se dilacera O escrínio das jóias escondidas.
No ecúmeno do astro navegante, No infinito espaço universal, Dormem os frascários viajantes Rumo ao destino imortal.
E o furor do vendaval em nave solta, Impossível seu destino controlar. Fúria bruta em uma alma quase louca Lança em luta sua vida em alto mar.
A beleza do Acanto oculta em flores, O encanto do Acauã que é um planger. Tão senil a idade esconde o mórbido, E a morte em seu lúgubre entardecer. J. Roberto de Carvalho ( 17/01/98) http;//poetasefilosofos.blig.ig.com.br/ Poetas & Filósofos no Blig do Ig July 03 A LOUCURA PELA LOUCURA
A LOUCURA PELA LOUCURA Quantos não lançaram mão do eufemismo insanidade, para revestir-me de uma roupagem socialmente elegante, objetivando uma aceitação pudicamente inocente, levando-me até o limite do ridículo estado espiritual da ignóbil candura angelical! Mas sou eu quem apresenta aquele sorriso descompromissado com o prepotente cenho estóico da moralidade e da protocolar “conduta ilibada” dos grandes líderes, das exuberantes e supremas personalidades que desfilam pelo palco da hipocrisia social e política. Talvez eu deva revestir-me dos conceitos de Erasmo de Rotterdam, mas deixar de freqüentar as fronteiras da mediocridade da ignorância humana e transcender-me para a personalidade transcorpuscular da etérea irracionalidade do universo das emoções e espargir em sua essencialidade toda ductilidade infantil de uma criança feliz em seu mundo encantador da síndrome de Pan. Não deixaria com isso os homens crescerem e os acorrentaria à magia do deslumbramento do mundo do faz de conta.
Eu, a loucura, milênios atrás, fiz da mente de Pigmalião minha morada contemporânea para compreendê-lo na sua relação com as mulheres; ele via tantos defeitos na alma feminina que acabou abominando as mulheres em geral. Escultor que era resolveu esculpir uma estátua com as formas anatômicas da mulher, como ele a concebia ser, perfeita! Idealizou a beleza e a sensualidade de Vênus (romana) e Afrodite (grega), a deusa do amor. Ele executou com extremo requinte, em marfim, uma obra tão perfeita que parecia obra da própria natureza. Fiz com que ele a presenteasse e a enfeitasse com jóias caríssimas; que a cobrisse com belíssimas vestimentas, e que a tratasse como se nela houvera vida. Fiz com que a vestisse com tecidos transparentes para não ocultar toda sensualidade feminina que havia conferido à estátua; convenci-o a colocar anéis em seus dedos, oferecer-lhe flores e presenteá-la com contas de âmbar. E para manifestar-me com toda irreverência em seu comportamento, convoquei cupido para fazê-lo se apaixonar por sua obra. Pigmalião achava as mulheres reais indecentes e escravas de suas sexualidades involuntárias e libertinas, verdadeiras lascívias pandêmicas. Fiz com que procurasse a deusa do amor e implorasse para que ela permitisse que encontrasse uma mulher idêntica à sua obra. Pigmalião, como de costume, dormia ao lado da estátua a qual acariciava como se fosse real. Beijava-lhe, abraçava-a e lhe fazia promessas de amor eterno – isso era por conta dele – eu não tinha nada a ver com isso, mas ele era plenamente feliz; até que numa manhã resplandecente ele beijou a estátua e percebeu que seus lábios estavam quentes, macios e úmidos. Tocou seus seios e os sentiu macios e ardentes. Espantado ouviu o palpitar do coração do que até então havia sido uma estátua.
O corpo da estátua estava palpitante e macio como a cera do Himeto. Receoso e cheio de dúvidas tocou muitas vezes o objeto de seus desejos, eu disse desejos! A virgem abriu seus olhos timidamente e permitiu que seus lábios delineassem um leve e afetuoso sorriso. Pigmalião agradeceu a Deusa do amor... Foi quando me retirei para não saber o final da história. Acontece que agora, o escultor tinha como companheira uma mulher real e com todas as vontades que ele repudiava. Será que ele mudou de iopinião quanto às mulheres?
Não sei por que eu, a loucura, sou muitas vezes incompreendida, se apenas tento fazer as pessoas felizes!
Mas não posso recriminar a dificuldade de lidar com a ignorância humana contida na ausência de uma mente e de um conteúdo intelectual racionalizado e parametrado na realidade objetiva da existência linearmente projetada naqueles que depositam fé e crença em deuses e mitos, como a bondade humana por exemplo, o que transforma sonhos e desejos em sementes da indômita emocionalidade, impregnadas de generosa, infantil e virtuosa pulcricidade na fé em um único deus de absoluta ditatoriedade manipuladora emanada de uma odiosa onipotência criadora e onipresença controladora do nosso livre exercício de consciência do direito de opinião e da livre escolha racional das opções de sermos independentes – eu disse racional, e não reacional!
Era notório que Erasmo sentia certo desconforto por ter que serpear pelos meandros do rio e torrentes de hipócritas autoridades religiosas e políticas e seus sofismos eufêmicos na justificativa de suas incontestáveis imoralidades. Erasmo fazia-o na sutileza do (stricto sensu) subcinerício dos borralhos inconfessáveis das cinzas da obscuridade sub-répteis da inânia intelectualidade de mentes abióticas.
Como Erasmo, muitos assim entendiam e vislumbravam a sociedade humana, mas nem todos tiveram a visão do humor negro de Roterdam. Basta lembrar-se Conde Alfred de Vigny e sua incontestável genialidade. Foi sua intolerância diante da torpe aviltação a que foi submetido depois de freqüentar os cenáculos românticos e tendo exprimido suas primeiras decepções. Após infortúnios sentimentais e familiares, pela maneira que foi recebido pela Academia Francesa e por seus fracassos políticos, retirou-se para o refúgio da solidão em sua mansão em Angoumois, Vigny escreveu e publicou, durante esse exílio espiritual (A morte do Lobo) (A Casa do Pastor) (O monte das Oliveiras) nos quais deplorava a solidão a que fora condenado o gênio à indiferença da natureza e dos homens. Exalta assim, a resignação estóica, única forma e atitude digna que se deve opor a tudo isso, mas eu, a loucura, um copo de rubro tinto, um champanhe divino, lho trouxemos novamente a alegria de viver descontraidamente na paz da criança que ainda sonhava dentro de si...
J.Roberto de Carvalho
<b>A LOUCURA PELA LOUCURA</b> <img src="http://poetasefilosofos.blig.ig.com.br/imagens/1afi020l.gif" valign="bottom"> June 29 O ENIGMA DA ESFING - A GUARDIÃ DO DESERTO
O ENÍGMA DA ESFINGE A GUARDIÃ DO DESERTO Mochileiros, turistas, guias; um turbilhão de vozes de centenas de seres humanos encantados com o por do Sol, o deserto, as pirâmides e a esfinge a tiracolo, cada qual com sua sacola, com os apetrechos fotográficos a gravarem suas últimas memórias e imagens fotográficas como lembranças de uma viagem fabulosa. Foram-se os últimos turistas, seus guias, as tendas dos camelôs desmontadas e carregadas pelos vendedores de “relíquias”. As pirâmides estavam sós, isto é, contavam com a vigília e proteção da gigantesca esfinge, impassivelmente silenciosa na sua mudez lítica. A noite começava a sobrepor seu véu escuro sobre a campina egípcia proporcionando uma visão que transcendia a qualquer qualificativo de exuberância visual d’uma espetacular beleza sobrenatural. E o artista divino se encarregava de pintar em cores deslumbrantes, contrastes rútilos à paisagem desértica egípcia em seu horizonte, a unir céu e terra. Esse fascínio incorpóreo que invade minh’alma impregnando-a de misterioso encanto não me deixa ir, acorrenta-me irreverente aos elos fortíssimos da magia cósmica e da visão indescritível das constelações . Ali estávamos, eu e a esfinge desafiando o vespertino taciturno do deserto faraônico. O Sol dava a impressão de retardar o crepúsculo ao espargir seus raios comburentes que incendiavam o céu com lampejos de matizes ferruginosos imitando brasas incandescentes, até o desbotamento aquarelado entre o rosa-choque o rosáceo dourado numa configuração palidamente efêmera de um singelo arco-iris. A esfinge parecia investir a sombra da sua suprema e enigmática milenar majestade sobre a areia amarelada do deserto, até onde eu postava minha humilde figura humana. Paulatinamente, a natureza revestia-a diante do horizonte agonizante com sua roupagem noturna à sombra do manto enegrecido do por do sol. Erigida desde o mar da areia onde se escreveram capítulos seculares da história da humanidade amedrontava os incautos beduínos que a chamavam de “Mãe do terror” ; na realidade, todas as esfinges possuem seus mistérios fabulosos, e não será diferente com esse gigantesco monumento! Ninguém sabe quem a esculpiu, e muito menos quando se deu sua execução. Segundo alguns historiadores, a região onde estou pisando nesse momento já foi coberta pelo mar, onde a esfinge permaneceu submersa nas águas por alguns milhares de anos. depois, não se sabe por qual fenômeno, o mar se afastou, surgindo então o deserto. Alguns arqueólogos calculam em torno de sete mil anos a idade da esfinge. Mas ali está ela a mirar-me, e sendo admirada de forma inescrutável por minha indomável curiosidade. Mas num momento minha mente viajou pela história e me fez lembrar da esfinge de Tebas...
TODA ESFINGE POSSUI UM ENIGMA. Laio, o rei de Tebas, foi advertido por um oráculo de que haveria perigo para sua vida e seu trono se crescesse seu filho recém nascido. O rei entregou seu filho a um pastor com a determinação de que fosse morto. O pastor, benevolente que era não quis matar a criança, e muito menos desobedecer acintosamente à ordem do rei, resolveu então criar uma situação onde ela, a criança, tivesse alguma chance de sobreviver. Amarrada pelos pés, suspensa a um galho de uma árvore, foi encontrada por um camponês que a levou a seus patrões. O casal acolheu o menino que recebeu o nome de Édipo (ou pés alongados). Muitos anos depois, quando Laio se dirigia a Delfos, acompanhado apenas de um servo, encontrou-se numa estrada muito estreita com um jovem que também dirigia um carro. O rei ordenou que ele se afastasse para que pudesse prosseguir sua viagem, mas o rapaz recusou-se a sair do caminho dizendo que o rei teria que contornar o caminho. O servo do rei matou um dos cavalos conduzidos por Édipo, que em represália, matou o servo e o rei tornando-se assim o assassino do próprio pai. Na decorrência do fato, a cidade de Tebas viu-se atormentada pelo surgimento de um monstro – uma esfinge – que espalhava terror pelas estradas. Dizia-se ter ela, a parte inferior do corpo parecida com um leão, e a parte superior a de uma mulher. Repousando na parte mais elevada de um morro ela detinha todos os viajantes que por ali passavam e os submetia a um enigma cuja resposta correta seria a condição para que tivessem sua passagem liberada, são e salvos, caso contrário, se não soubessem decifrar o enigma, seriam mortos. Ninguém conseguia decifrá-lo, e todos até então tiveram a vida sacrificada pela esfinge. Édipo, sem se deixar intimidar ousou enfrentar o desafio. Já diante da esfinge, esta lhe perguntou: Qual animal que de manhã anda de quatro pés, à tarde sobre dois pés, e à noite sobre três? – É o homem que engatinha na infância, anda ereto na juventude e com a ajuda de um cajado ou um bastão na velhice – respondeu Édipo. A esfinge se sentiu tão humilhada, ao ver solucionado o enigma, que não resistiu à vergonha da humilhação e se suicidou atirando-se do alto do rochedo. Entre os egípcios e os gregos, a esfinge era conhecida como um monstro fabuloso com corpo de leão e cabeça humana. Freqüentemente as esfinges eram usadas para ladearem os acessos aos pórticos monumentais dos templos. Será possível que você também possui um enigma desafiador, uma misteriosa inequação temporal? Volto a mirar a esfinge de Gisé e pergunto-lhe: – Qual a sua mensagem; qual o seu enigma? Então ela parece responder-me . Se Deus é todo poderoso, seria ele capaz de criar algo tão fantástico e onipotente que não pudesse controlar? – Esse é seu enigma? – pergunto eu. – Decifra-o ou te devoro! – respondeu-me ela J. Roberto de Carvalho June 25 CIÊNCIA E IMAGINAÇÃO
CIÊNCIA E IMAGINAÇÃO
A física, sendo uma ciência, a priore, pré-objetiva, contida no universo empírico da conceitualização observativa virtual e teórica, necessita de comprovação inquestionável, exata e lógica atestada por comprovações obtidas em experimentos teorizados e algoritimizados em procedimentos metodológicos efetuados em laboratórios específicos; e no caso do seguimento da astrofísica, com pesquisas experimentais que tenham suporte em ferramentas e instrumentos adequadamente providos de tecnologia com especificidades funcionais e operacionais no campo da mensurabilidade da escala astronômica, portanto, criando condições referenciais para um consenso comum e aceitação da comunidade científica, depois de ser submetida a todos os procedimentos protocolares e regulamentares para a postulação, pós-baterias de testes e experimentos independentes no campo da comprovação e da evolução científica. O próprio nome sugere um processo contínuo na evolução do campo tecnológico de cunho procedimental na comprovação das teorias e posterior postulação. A cada surgimento de uma nova grade instrumental tecnológica que amplie o campo possível das fronteiras limitróficas das realizações experimentais, levando às novas e prováveis conquistas científicas, nos permite pensar que no futuro, as eventuais teorias hoje postuladas, não serão aceitas como verdades absolutas e nem como elemento ou matéria exata no universo da lógica conceitual. Um exemplo evidente dessa possibilidade é a mecânica teorizada e experimentada por Newton, onde são descritas por explicações aceitáveis todos os movimentos da mecânica universal sob a ótica dos valores da velocidade abaixo dos valores da velocidade da luz, mas que não se sustentam sob a ótica analítica do universo das velocidades relativistas – ou seja – com valores iguais ou maiores que os da velocidade da luz. Tal evidência se constatou no século passado, quando os limites teóricos da mecânica newtoniana, se submeteu a processos tecnológicos que não existiam anteriormente a aceitação, por parte da comunidade científica, das explicações concebidas como verdadeiras até então. As sementes de novas concepções e pensamentos sobre teoremas com princípios potencialmente exatos, mas que não possuem o suporte para a viabilização de ser provados e comprovados, além das conceitualizações precognitivas e cognitivas, como realidade incontestável, impossibilitados que são pela limitação tecnológica da contemporaneidade operacional e funcional das estruturas energéticas clássicas atômicas. Esse obscurantismo científico ocasionado pela ausência de elementos operacionais exatos, na área dos experimentos tecnológicos representa um vasto e imensurável campo fértil da especulação teórica e o campo possível da imaginação, propiciam a germinação exuberante de idéias fantásticas sobre novas possibilidades no campo da criatividade experimental. É onde opera a mente científica e seu ferramental matemático na criação de mundos “utópicos” e virtuais, que podem ou não corresponderem à realidade cósmica e universal. Essa é a realidade contemporânea da física em relação à estrutura e a subestrutura atômica – Os Pilares Gêmeos – a Física clássica e a quântica, onde as especulações serpeiam o mundo da imponderabilidade possível e imaginável...
June 17 ENTENDIMENTO LITERAL DA ESSÊNCIA DO CONTEÚDO DO PENSAMENTOENTENDIMENTO LITERAL DA ESSÊNCIA DO CONTEÚDO DO PENSAMENTO O pensar é o exercício da ordenação das idéias, das racionalizações pontuais, da cristalinização conceitual, do deslindamento dos sentidos, da fundamentação dos valores, da definição textual das formas, da literalidade do substrato elementar da compreensão e da configuração do fiel sentido em todos os seguimentos, da extensividade do conhecimento e da expressão implícita do nível da abrangência sócio/cultural da mente e espiritualidade do indivíduo analisado. Todas as formas de manifestações exatas ou emocionais carregam em seu bojo as sementes dos desejos, emoções, expectativas, sentimentos, religiosidade, política, ideal etc., às quais, atribui-se um valor único e absoluto do conteúdo e da contextura do conhecimento. No conteúdo ou fundo, considerando o entendimento, a compreensão da essencialidade onde se subentende os sentidos, as idéias, os pensamentos cristalinizados da fiel interpretação da espiritualizada, sensibilidade dos recônditos intelectuais de onde emanam as manifestações espontâneas, torna-se a provável, única e absoluta maneira corretamente exata de se interpretar e analisar dentro da estrutura do conteúdo da forma e configuração intelectual– os termos e os torneios normativos sintáticos com os quais se analisa, compreende e se explica a metafísica transcendentalista do ser incorpóreo e da estrutura inteligível configurada na cultura da alma do indivíduo humano ali representado, expresso na imortalidade literal dos seus mais eruditos conhecimentos, fonte essa, referencial dos seus pensamentos.
Não podemos ser indiferentes ao que se quer expressar, muitas vezes de maneira transparente, outras, com sutilidade inteligente, à essencialidade do conteúdo, ou, às regras do contexto estrutural; ou mesmo, do processo normativo da forma da literalidade gramatical, mas, analisando todo o contexto no âmbito da convergibilidade do entendimento inquestionável do senso comum e da interpretação da intenção objetiva do propósito e do fim, ao qual se propôs o autor em sua ótica analítica e conceitual, sob a égide do parâmetro do seguimento das emoções e da razão... A análise e a explicação textual, não deve se aprisionar ao objetivo da insidiosa armadilha do eufemismo, e muito menos se entregar ao exercício enigmático do sofismo, e menos que se dê ao parafraseando sobre uma obra literária, dando característica extensiva ao estudo de qualquer tipo de estrutura normativa gramatical, ou mesmo, se dispor a qualquer juízo de valor moral subjetivo. Haverá sempre de se levar em conta todos os valores universais do conjunto dos quesitos elementarmente fundamentais, necessariamente exigidos, para que se produza uma correta interpretação e explicação de uma obra literária, ou mesmo, um fragmento prosaico, um romance, um conto, ou até mesmo, um poema! Também não se cometerá a ousada decomposição d’uma obra em fragmentos estruturais para explicar seu conteúdo, pois não se conseguirá, senão, encontrar nada além de resquícios físicos do substrato intencional subliminar dos sentimentos e emoções expressos na espiritualidade transcendental da forma e do fundo , portanto, nada restando da essencialidade da alma intelectual do autor...
Vamos observar um possível tipo de paráfrase numa interpretação de uma estrofe de Camões: “Um gosto que hoje se alcança, amanhã já não o vejo; assim nos traz a mudança, de esperança em esperança, e de desejo em desejo. Mas em vida tão escassa que esperança será forte? Fraqueza da humana sorte, que, quando na vida passa, está receitando a morte.” “Luiz Vaz de Camões, o grande poeta luso, nos fala, nestes versos, da fugacidade dos bens, que hoje alcançamos e amanhã perdemos; mesmo a esperança e os desejos são frágeis e a própria vida se esvai rapidamente, caminhando para a morte. Tinha o vate muita razão, pois, realmente na vida, todos os gostos terrenos se extinguem como um sopro: o homem, que sempre vive esperando e desejando alguma coisa, têm constantemente a alma preocupada com seu destino. Ora, mesmo que chegue a realizar seus sonhos, estes não perduram...” Qual foi a essência da espiritualidade intelectual de Camões no momento dessa inspiração literária; quais eram os sentimentos e emoções que impregnavam seu ser, mais racional que ilativo, ao expressar nessa estrutura literal os seus pensamentos? Render-se aos limites da sua efemeridade física circunstancial e à fugacidade existencial? J. Roberto de Carvalho
June 12 CLASSIFICAÇÃO DO SER HUMANOCLASSIFICAÇÃO DO SER HUMANO O fenótipo é o protótipo ou modelo onde se evidenciam em manifestações perceptíveis a personalidade, a postura, a atitude, o comportamento e as reações de um exemplar de uma espécie, proporcionando a um observador – pesquisador – uma objetiva ótica analítica através da grade de valores biotípicos/anatômico-posturais e impulsos reativos autônomos precognitivos diante dos apelos oportunos, exigindo respostas para as decorrentes eventualidades factuais circunstanciais, ocasionando imprescindível configuração de conhecimentos empíricos precordiais na compreensão da causa e efeito registrado como experiência necessária para a determinação de padrões genótipos do patrimônio hereditário sócio/cultural e ético/moral do seu meio, decorrente do senso comum do seu mecanismo estrutural, preceituado na conjuntura evolutiva do universo da civilização considerada. Aqui não se trata de uma classificação feodérmica, anatômica, estrutura neuro/moto-sensorial sociológica reativa, cognitiva, mecânica, racional ou mesmo de valores potenciais fundamentados numa possível programação intelectual, mas sim, de uma definição do ser humano como um espécime, pela ótica da antropologia, e de suas teóricas ramificações conceituais, sócio/filosóficas, ex: a monantropia (sistema antropológico segundo o qual, o gênero humano, origina-se de uma só raça). Seria essa teoria um tipo de argumentação persuasiva para dar suporte a uma definição literal de raça? Não podemos nos ater rigidamente somente na questão da semântica quanto à definição que lhe empresta a lingüística, como no sentido restrito literal da palavra; há que se considerar o universo histórico e científico ontológico acerca da evolução do gênero humano desde os priscos existenciais do homem como espécime. Como raça houve uma sucessão de ascendentes e descendentes, desde a unidade familiar, povos, gerações e grupos de indivíduos cujos caracteres biológicos permaneceram constantes de uma a outra geração; mas é evidente que ocorreram transmutações ao longo do tempo transmilenar existencial, e que se torna imprescindível, passarem pela essência analítica da ontologia. Refiro-me às classificações das espécies – entre elas, o gênero humano – com suas características diferenciadas e semelhanças hereditárias constantes. Partimos então para a análise da anatomia da estrutura do ser humano, colocando-a como característica constante, imperfeita em sua simetria e proporções, mas constantes na identificação da espécie no que se refere à aparência física externa e à estrutura neuro/moto-psíco/sensorial: inteligência empírica, cognitiva, dedutiva, analítica, associativa, racional e conclusiva. Sociabilidade: cultural, intelectual e moral e evolutiva associacional. Um processo que passa pela eugenia gradual temporal gerenciado desde os campos específicos voltados para o aperfeiçoamento físico e mental da espécie humana. ÍNDOLE SELETIVA A partir de valores padronizados e estereotipados a sociedade humana passa a selecionar como ótica parametral, determinadas características de uma “metrologia de beleza ideal, o biótipo preferido, as linhas anatômicas de proporções perfeitas como os valores estéticos mais agradáveis de serem observados”; dá-se então a decorrente rejeição daqueles que não foram contemplados pela hereditariedade com privilégios tais, dos caracteres seletivos. Nasce daí, o relacionamento preconceituoso da rejeição consciente ou involuntária da não aceitação e da intolerância quanto às diferenças que se são extensivas à materialidade social configurada na somatória dos patrimônios pessoais: riqueza ou pobreza, cultura e educação, origem sócio/política, poder elitizado, etc. Mas é histórico esse sentimento de rejeição às classes menos favorecidas. Já nos tempos idos o Jansenismo – doutrina tirada do Augustinus – obra de Jansênio (Jansenus) onde se pretendia uma liberdade privilegiada somente para certa casta, como uma graça concedida, mesmo antes do nasciturno, o que era negada para a grande maioria. O racismo e o preconceito, atitudes aversivas contra um povo, um continente – Ásia, América do Sul – uma raça (brancos, negros, amarelos, chineses, judeus,) uma classe: pobres, índios, idosos, etc. A xenofobia: estrangeiros (nacionalismo ou patriotismo extremo) e o religioso. Darwinismo Social: “Num período futuro, não muito distante, numa escala transecular, as raças humanas civilizadas vão certamente exterminar as raças selvagens por todo o mundo.” Charles Darwin... “Darwin’s bulldog” – “Homem algum, racional e conhecedor dos fatos, acreditará que o negro comum é igual e muito menos superior ao homem branco” – Thomas Huxley Ernst Haeckel: – “No estado mais baixo do desenvolvimento mental humano estão os Australianos – aborígines – algumas tribos da Polinésia, os Bosquímanos, os “Hottentots” e algumas tribos negras. Ernst foi o darwinista que inventou a “lei biogenética”, que hoje sabemos ser falsa, e mentiu sobre o desenvolvimento dos embriões. Arthur Keith: O Fuher alemão é um evolucionista, tal como eu tenho dito consistentemente. Ele tem conscientemente tentado que a Alemanha esteja de acordo com a teoria da evolução. MINHA LUTA – Um tratado ou um ensaio insano? Mas qual o título, ou como rotular um compêndio de idéias e concepções pessoais sobre o exemplar humano, não como indivíduo, mas como povo, como espécime ou raça? (Mein Kampf) – Minha Luta – germinado na mente de um cidadão alemão polêmico por sua visão nazista racista, preconceituosamente seletiva quanto às diferenças biofísicas do indivíduo humano e suas qualificações culturais na consideração da subjetividade circunstancial da sua posição na escala sócio/econômica, e por extensão, à origem da sua ancestralidade?
Toda consideração às diferenças aqui pontificadas, são extremamente odiosas e ignobilmente “deleteriosas”, pois destroem todas as perspectivas de entendimento harmonioso entre os seguimentos sociais no mais alto gral de sua digna representatividade que se pretende justa, inteligente e civilizada, principalmente quando tais considerações partem daqueles que deveriam servir de exemplo de tolerância no que se diz respeito ao direito de escolha de cada indivíduo da espécie, e à justiça equanimidade dos direitos humanos, isso, no universo absoluto de todos os valores que dignificam a criatura humana como exemplar potencial inteligente que é. No mais, toda manifestação de intolerância, origine-se ela de onde originar, estará sempre representada pelo que de pior existe na índole dos iguais espécimes, e do que existe de mais odioso e condenável numa exteriorização do primitivismo animal que é o ato de violenta desinteligência sócio/cultural...
May 31 MULHERES IMORTAISEm seu jovem semblante transbordava uma fascinante e demoníaca dualidade angelical, fronteiriça entre o sagrado e o profano. Feiticeira diante da juventude incauta buscava a conquista e a sedução de Lancelot numa insana e indômita obsessão, despertando uma intrigante admiração na alma daqueles que a conheciam em sua doce deidade natural... A Morgan Arthuriana, a dama de Avalon, a personagem de “Ogier the Dane”; a encantadora Morgana de Ariost, a miragem rutilante de “Start of Messina,” sedutoramente fulgorosa era a personificação da magia e da sensualidade transcendental de uma encantadora mulher. Havia na suavidade dos seus trejeitos a felinidade, o poder e a força de despertar encantos tais que, subjugando audazes e intrépidos guerreiros, ductilmente como era do seu fetiche, brincava com os sonhos, os desejos e as emoções dos simples mortais!
Assim como nos pródomos lendários, Morgan, a feiticeira, inconscientemente trazia em seu intelecto quase selvagem uma alma subtraída da essencialidade do bem, dom este, próprio de uma poderosa, paciente e contagiante benevolência, um portentoso atributo inerente à sua imortal espiritualidade. Mas sob a ótica de uma ideológica e dogmática religiosidade, sua personagem foi transfigurada e rotulada como demoníaca e conseqüentemente associada ao “ao profundo e tenebroso recôndito do mau”. Perdeu sua hipotética “divindade” ,sendo chamada de bruxa e lançada ao paganismo pela perseguição dos poderosos da época, tendo sido consequentemente relegada à condição de, nada além, duma vil pagã mortal, diante dos seus mais fiéis admiradores!
A paixão é a mais intensa e inebriante insanidade passional, sentimento este, inerente ao caráter humano. Surpreende-nos intempestivamente, quando arrebata da nossa incorporalidade transcendental o estado de profunda paz, lançando-nos às trevas das brumosas nuvens de irracionalidade e do infrene desejo da posse. Com a paixão ocorrem conseqüentes tempestades de lágrimas nascidas na insensatez das súplicas, do desespero e da exaltação desmedida do delírio frenético do ódio exasperado e do conflito silenciosamente ensurdecedor da solidão. Libertam-se então os primitivos e indomáveis imperativos do instinto animalesco, latentes nos mais longínquos horizontes da alma selvagem dos priscos existenciais da criatura humana e do desenvolvimento do seu caráter emocional rudemente estruturado sob o prisma do seu programático e pragmático conteúdo intelectual. Segundo Spencer, a paixão é a síntese de todas as energias metafísicas além corpóreas do ser humano, manifestando-se com maior intensidade nas românticas almas femininas, assim como a deusa do amor Fria ou Frigg para os germânicos (uma adaptação do latim dies veneris (dia de Vênus, a deusa nórdica da formosura), sexta- feira na língua inglesa (Friday) – Afrodite para os gregos, Vênus para os romanos – esta que surgiu segundo a mitologia grega da espuma do mar, nua e pura, configurando-se na personificação do amor e do desejo, cujo sensualismo romântico revestia-se de uma ardente sexualidade. Encontraremos outras, tal e qual, a Vênus lascívia, na qual o amor transpirava sensualidade despertando-lhe sonhos e desejos de que, uma longa fila de amantes no cio, como os ceifeiros em que D’Anúzio descreveu fielmente, e com certo requinte de detalhes em “a Filha de Jônio”. Existem também aquelas que são verdadeiras Vênus pandêmicas, irresistivelmente acessíveis a todos que se lhe dirigem com galanteios românticos, essas que vendem o corpo por um punhado de moedas, e das quais, poder-se-ia dizer, na linguagem do poeta que, “toda multidão da estrada passou sobre seu corpo”.
Ao focarmos nossa análise sobre a participação da mulher na história, mais especificamente sobre a idade média, notamos que a classe dos historiadores esqueceu ou não teve a sábia sensibilidade humanamente inteligível tão necessária, tão ausente nas mentes dos líderes da época do obscurantismo ou, da idade das trevas, para observar, mesmo que passivamente, num mundo dominado e mergulhado no domínio machista e absoluto da ideologia dogmática religiosa, que elas, as mulheres, não representavam a sombra ameaçadora sobre os descaminhos religiosos, versão esta, alimentada sobre o que os “lideres” consideravam como o “universo misterioso feminino”. O pouco conhecimento que dispomos sobre as mulheres da época nasceu ou teve origem, ou foram elaborados sobre os fundamentos conceitualistas das ilações escolásticas da Igreja sobre um pensamento e sentimento preconceituoso que provocou uma forte aversão ao poder da sensualidade do sexo "frágil" e seus decorrentes encantos físicos / naturais, elevados e contabilizados nas entranhas da “bruxaria” e do mundo hórrido do mau, ou seja, do mundo “pecaminoso” dos quais os religiosos deveriam se afastar. “Descendentes diretas de Eva, “possuidoras de atributos carnais lascivos e perniciosos, culpadas pela queda do caráter divino do gênero humano na ocasião do primeiro pecado, tornando-se más e seviciosas, havia de se tomar certos cuidados específicos com respeito às mesmas.” Não foi diferente com Joana Darc, a virgem de Lorena, a donzela de Orleans, a padroeira da França. Não estou aqui na figura sectária de um credor de suas visões, muito menos a de um cético de insana irracionalidade, mas como um amante incondicional do destemor de uma personagem que transcendeu a sua época por meio da “divindade adquirida” num ímpeto reparatório de justiça por parte dos seus algozes perseguidores.
Interrogada diante dos altos dignatários do clero da época da Inquisição, com o único propósito de desacreditá-la de sua palavra diante dos seus mais féis seguidores e proclamá-la herege diante do sagrado, perguntaram-lhe: - Você acredita estar em estado de graça?
- Se eu estiver que Deus me conserve assim, se eu não estiver que Deus me permita ficar!
Merlin, o mago, dedicado colaborador e conselheiro do rei Artur, previu a guerra dos cem anos dizendo que esta seria definida a favor da França por meio da ação de uma mulher da região de Lorena, “a virgem”, lenda que incorporou a guerra de ambos os lados contendores. O surgimento desta guerreira, soldado e heroína de Lorena, despertou a fúria da Igreja que, dissimuladamente, e por meio dos ingleses que a transformaram em mercadoria com fins ideologicamente políticos, colocou a ao alcance do clero que, com subterfúgios ignóbios e procedimentos aviltantes a declarou herege levando-a a uma morte cruel em plena praça do mercado na cidade de Ruen onde foi queimada viva, não sem antes ter um crucifixo a altura dos olhos para seu “conforto espiritual” diante do iminente suplício pelo qual passaria... Queimada viva diante da multidão horrorizada, já no ultimo momento de lucidez que lhe restava, murmurou baixinho aos ouvidos do seu Deus: Pai, se me amas, mate-me agora! Num acontecimento inexplicável, e para a perplexidade do carrasco, o coração da guerreira não se queimou, e juntamente com as cinzas do que restou do seu corpo foi jogado no rio Sena. Mas, se analisarmos “o moto contínuo temporal”, em suas revoluções históricas em relação à humanidade, não poderemos deixar de reconhecer a presença marcante e incorpórea dessas mulheres e tudo o que representaram e continuam representando como exemplo de determinação, ousadia e coragem, no confronto com opiniões ideológicas, teológicas e sectárias, diante do poder e da irracionalidade dos desmandos das autoridades governamentais de todos os tempos. j. Roberto de Carvalho
ARQUEOLOGIA E PERÍCIA CRIMINALARQUEOLOGIA E PERÍCIA CRIMINAL Perguntou-se, e ainda não foi dada a correta definição do que realmente significa a arqueologia. Houve quem afirmasse ser ela uma ciência, houve até quem a definisse como arte. Antes de defini-la, seria, de correto procedimento, traçar-lhe o seu perfil adequado, como ferramenta do estudo da história do mundo e de suas principais estruturas científicas de apoio, envolvidas nas descobertas das pistas, evidências e provas científicas na constatação verídica das teóricas suposições acerca dos fatos indiciosos... Tenho comigo, não a pretensa sabedoria de afirmar que, a arqueologia não seja uma ciência, mas discutir sua verdadeira identidade estrutural de funcionalidade de busca e pesquisa da verdade histórica do nosso mundo desde os primórdios existenciais da espécie humana, e sua evolução cronologicamente documentada. Afirmo e atesto que a arqueologia se apóia em ramos científicos para constatação da real factualidade dos fenômenos e incógnitas enigmática. Na obra – A Descoberta do Mundo – em “Druidas, Heros e Centáures”, de Maurice Bell – 1959, o autor afirma que não basta o uso de certos universos científicos para que determinadas áreas de estudos e pesquisas sejam consideradas disciplinas científicas. “A arqueologia é uma disciplina na qual as questões de apreciação se sujeitam à subjetividade de avaliações de conhecimentos pessoais, cuja credibilidade da lógica e exata interpretação declina para um julgamento teórico sobre possíveis eventualidades, eis porque, em geral, há tão pouco entendimento entre os arqueólogos e suas diversas “escolas”! A esses arqueólogos que julgam tudo poder explicar partindo de um caco de cerâmica, é essencial recordar as palavras do historiador Políbio, que Sir Mortimer Wheeler, quando propõe à sua meditação: ‘Os que crêem que pelo estudo de seus fragmentos podem obter um entendimento justo e equilibrado da história acham-se na situação dos que julgassem poder compreender, pela contemplação dos membros dispersos de um corpo outrora vivo, tudo o que há de vida e beleza numa coisa animada’. Estão esses arqueólogos, de certo modo, na situação daquele arqueólogo imaginário cuja carreira científica, Sir Mortimer citou: descobriu ele o tonel de Diógenes, mas deixou Diógenes completamente de lado para escrever artigos sobre a tipologia dos tonéis, classificando-os em categorias de A, B, C, descobrindo uma cultura tradicional dos construtores de tonéis e grafando as possíveis migrações em complexos mapas geográficos, mas esqueceu tal arqueólogo da personagem indispensável para a história – o filósofo cínico! O que podemos fazer sem receio de cometer um erro grosseiro é classificar a arqueologia como uma ciência humana e de possíveis maculaturas em erros ocasionados por sua essência de avaliação subjetiva, ou seja, uma ciência falível; passível de falhas. Portanto, não faltarão esclarecimentos de pormenor valores a esclarecer fundamentais detalhes da essencialidade da lógica na apuração da verdade inconteste sobre a realidade de fatos incognoscíveis e de invioláveis conhecimentos que por certo delimitarão nosso conhecimento a respeito da onisciência... Mas onde entra nesse contexto a perícia criminal? Em matéria de estrutura operacional e funcional podemos considerá-la exatamente como a arqueologia – também depende de ciências e conhecimentos auxiliares para estudar as eventuais subjetividades teóricas de fatores desconhecidos e, cuja constatação verídica dependerá de avaliações e apreciações pessoais, portanto, de cunho interpretativo, o que a torna matéria de subjetiva credibilidade fundamentada, muitas vezes, em hipotéticas ilações conjecturais... Mas a leitura que os dados de resoluções inquestionáveis proporciona, desde que esteja a altura, ou seja, do conhecimento de quem os manipula, pode oferecer contemplações e observações logicamente dedutíveis e indiscutíveis quanto aos fatores e valores fundamentados em evidências cientificamente elaboradas. É o caso do CO14 para determinação da idade de uma massa corpórea – com alguma margem de aproximação para mais ou para menos anos estimados. No caso da perícia técnica; dependendo das probabilidades de recursos que o elemento pesquisado proporciona, e do tipo de pesquisa desenvolvido, poderá com exatidão de detalhes, obterem-se resultados e respostas especificamente esclarecedores sobre as características do objetivo focado; que é o caso da cadeia de DNA proveniente do núcleo celular ou da estrutura mitocondrial e suas respectivas escalas atômicas e subatômicas – a primeira como fundamento estabelecido dentro da origem familiar; a segunda advinda da estrutura mitocondrial do lado materno. A primeira tem um limite escalonar de probabilidade girando entre, mil a dez mil vezes, menor do que a primeira... Mitocôndrias e cloroplastos: produzem proteínas; possuem genoma próprio; genoma parecido com o código genético dos modernos procariontes. Muitas das proteínas desses organóides são sintetizadas pelos ribossomos das células hospedeiras, demonstrando que, com o tempo, mitocôndrias e cloroplastos podem ter deixado certas atividades por conta das células dentro das quais passaram a viver; são capazes de se autoduplicar. Fonte(s): http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.... A Teoria da Endossimbiose, criada por Lynn Margulis, propõe que organelas ou organóides, que compõem as células eucariontes tenham surgido como conseqüência de uma associação simbiótica estável entre organismos. Mais especificamente, esta teoria postula que os cloroplastos e as mitocôndrias (organelos celulares) dos organismos eucariontes (com um verdadeiro núcleo celular) têm origem num procarionte autotrófico – provavelmente um antepassado das cianobactéria actuais - que viveu em simbiose dentro de outro organismo, também unicelular, mas provavelmente de maiores dimensões, obtendo assim protecção e fornecendo ao hospedeiro a energia fornecida pela fotossíntese. May 29 A DESCOBERTA DO Jardim do Éden AMAZÔNICO
A DESCOBERTA DO Jardim do Éden AMAZÔNICO Quando a tecnologia permitiu que o planeta se tornasse mais conhecido e a ciência fraguimentou a “Abóbada Celeste” em bilhões de galáxias com seus planetas, astros, buracos negros, buracos de minhoca e tecido plasmático; os religiosos procuraram colocar o “Paraíso” fora do alcance dos instrumentos científicos. O ser humano sonha em ser acolhido nos braços de um ser supremo, num aconchegante colo divino que lhe devolva o sentido da felicidade de uma existência tranqüilamente segura, assim como a deliciosa ingenuidade de uma criança que se sente seguro nos braços dos pais... Sem a expectativa de uma existência feliz numa espécie de jardim recluso num futuro distante – essa tolice utópica criada pela mente humana – que fortalece e encoraja o intelecto e a alma do homem, e que lhe permite suportar o peso de uma existência conflitante, enigmática e cheia de mistérios, lhe dá um suporte de coragem e alívio no sentimento de consciência de se estar vivendo temporalmente num mundo físico instável. NA IDADE – média os homens sonharam com o dia em que chegando ao Oriente, poderiam ver o Jardim do Édem com os próprios olhos. A Suméria, a mais antiga civilização do planeta cresceu organizada na Mesopotâmia. Daí surgiu e se expandiu para o Ocidente os priscos do mito Jardim do Édem por intermédio da obra de Gilgamesh, dando início ao gênero épico. Uma obra que diz respeito às peripécias do rei Uruk em sua busca pelo soro da eterna juventude. Era esse o paraíso sumério! OS ORIENTAIS – têm conquistado um número considerável de sequitários ocidentais que aceitam abertamente as suas concepções de paraíso, onde o mesmo é definido como um estado de espírito que deve ser alcançado pelo esforço individual num estado de nirvana. Uma visão que se enquadra ao individualismo que reina em nosso tempo. Esse paraíso só é alcançado por aquele que se dispuser a aceitar uma disciplina espiritual da ética moral e da honestidade. Sendo assim, o paraíso torna-se um prêmio à dedicação de cada indivíduo na atitude harmônica existencial entre o ser e a natureza. Mas a modernidade e o progresso científico não foram generosos com a religiosidade e o paraíso foi lançado para além da materialidade corpuscular, no universo da intangibilidade. E assim, a progressiva dessacralização dos mitos desfigurou a possibilidade racional de um Jardim do Édem terreno; depois a Abóboda Celeste foi pulverizada por bilhões de galáxias, estrelas, planetas, cortina plasmática, etc. Cristóvão Colombo supunha ter chegado ao paraíso em 1498 na sua última viagem à terra que hoje conhecemos por Continente Americano, mas tinha ele a quase certeza de que se tratava do jardim que Deus havia criado para que Adão e Eva vivessem felizes para sempre; Colombo morreu ciente do seu achado. No mundo contemporâneo (moderno) o paraíso está representado pelos imensos shoppings, condomínios fechados, um lugar com seus maravilhosos pontos turístico para se gozar as merecidas férias longe do infernal e caótico trânsito e da insana luta pela sobrevivência. É possível que cada ser humano se sinta culpado ao observar passivelmente a destruição da natureza, que esse tal paraíso moderno está provocando, e que, provavelmente, mais do que se previa, a extinção dos seres viventes sobre a face do planeta está próxima! Na realidade, nós, todos os seres viventes, predadores racionais, estamos tomando consciência de que, o nosso planeta, este sim, era o verdadeiro paraíso onde tínhamos à nossa disposição tudo o que precisávamos para uma existência tranqüilamente segura. Mas o mundo atual destruiu a maior parte do seu “Jardim Recluso”, e perplexo assiste a fúria da natureza começando a reagir à alma irracional e predadora do ser humano. Ocorre que, como conta a história, a busca do Jardim mágico continua, e já encontraram um – a Amazônia Brasileira! Só que os pecadores querem entrar no “Paraíso a qualquer custo. Estão desesperados para saírem do inferno no qual estão transformando o planeta sem purificarem suas almas de economistas selvagens e seus instintos insanos pelo poder! J. Roberto de Carvalho May 23 AMAZÔNIAEM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É REI!!! Existiu, outrora, um grande principado oriental, governado com muita sabedoria por um famoso sultão muçulmano. Para que o seu principado se tornasse poderoso e indestrutível, era preciso conquistar duas cidades fronteiriças. Como sempre acontecia, no momento de tomar uma importante decisão, o príncipe consultava o sábio vizir, sendo assim, mandou chamá-lo: – Quero que me informes de quantos homens seja necessários para conquistar a cidade grande que fica ao sul de nossa fronteira, e de quantos precisarei para conquistar a cidade pequena que fica ao norte. O vizir ouviu o príncipe com atenção, ficou em silêncio por instantes, pensativo, e respondeu a seguir: – Nobre senhor, são necessárias duas semanas de prazo para que eu esteja apto a informar Alteza, com acerto, o número de tropas necessárias para conquistar as referidas cidades. De imediato o sultão concedeu ao vizir o prazo solicitado; o vizir, disfarçado de povo, foi viver na cidade grande. Percorrendo as ruas pode observar os comerciantes. Soube dos preços das mercadorias, conversou com os habitantes, freqüentou suas casas. Estudou seus princípios, usos e costumes. Passada uma semana, deslocou-se para a cidade menor e repetiu tal procedimento. Ao final das duas semanas o vizir retornou ao palácio e aguardou o chamado do príncipe. Tomando conhecimento do retorno do sábio, o príncipe convocou-o a comparecer à sua presença para saber do resultado das suas pesquisas sobre as informações solicitadas. – Espero que possuas as respostas referentes à minha consulta, sendo assim, diga-me, de quantos homens precisarei para conquistar a cidade grande. O vizir respondeu: – Manda imediatamente mil homens e a cidade será conquistada sem qualquer dificuldade. O sultão mandou chamar seus generais e ordenou que esses convocassem mil homens e os armassem e marchassem para invadir a cidade grande. Assim foi feito. Quando os soldados do principado invadiram a cidade o combate durou apenas algumas horas, até que a cidade fosse dominada e dela o sultão se apoderasse. Foi enviada à sua alteza por meio de um mensageiro a notícia da vitória. Ao Saber que a cidade havia sido tomada em poucas horas o príncipe mandou chamar o sábio e lhe disse: – Quero que sejas o primeiro, a saber, depois de mim, que a cidade grande é nossa. Os meus homens conquistaram-na facilmente. – Felicito sua nobre Alteza. Estava convicto da facilidade de se conquistar a cidade grande. – Diga-me: quantos homens serão necessários para conquistar a cidade pequena? – Para conquistar a cidade pequena necessitaras de quarenta mil homens... O sultão levantou-se do trono com o cenho embrutecido pela cólera e disse rusticamente para o vizir: Como? Estás gracejando? Se para conquistar a cidade grande precisei de apenas mil homens, como queres que eu acredite que para conquistar a cidade pequena eu necessite de quarenta mil? – Meu senhor, será necessário que se envie quarenta mil homens para a conquista da cidade pequena! Contrariado, o sultão com ar severo se dirigiu ao vizir: – Tens até amanhã pela manhã para reconsiderar tal informação e me dar a resposta correta. Vá e te apresentes amanhã pela manhã! O vizir fez as devidas reverências protocolares e se retirou calmamente. Adormeceu profundamente, e ao amanhecer já estava de pé aguardando ser chamado pelo príncipe. E assim aconteceu. Já em audiência com o monarca, ouviu este dizer: – A noite é boa conselheira. Agora espero que me responda com sabedoria. Quantos homens serão necessários para conquistar a cidade pequena? Antes que o príncipe terminasse de se acomodar em seu trono o vizir respondeu: – Quarenta mil! Imediatamente o rei se levantou do trono e caminhou na direção do vizir: – Você está sendo insensato; vou te perguntar pela última vez, responda-me criteriosamente, de quantos homens eu vou precisar para conquistar a cidade pequena? Inabalável em sua postura, o sábio respondeu: Quarenta mil, Alteza, e não será tão fácil quanto foi a conquista da cidade grande! – Tudo bem, assim será feito. Mandarei os quarenta mil homens, mas quanto a vossa autoridade, ficará prisioneiro até que se conquiste a cidade pequena, então serás julgado! O vizir permaneceu impassível e aguardou que os guardas os conduzissem até a prisão. O príncipe permaneceu cabisbaixo e pensativo: “O vizir durante todo o seu vizirato, sempre o aconselhara com sabedoria. Havia muitos anos que era seu fiel conselheiro particular, e jamais se enganara, mas agora demonstrava irritante insensatez. Após longa e sangrenta batalha que durou meses, finalmente conquistou-se a cidade pequena, mas à custa de se perder mais da metade da tropa. Enviou-se ao monarca a boa notícia. O príncipe ordenou que trouxessem o vizir à sua presença. – Quero que saibas que a cidade pequena foi conquistada, apesar de termos perdido grande parte da tropa, mas exijo que me expliques por que foram necessários quarenta mil homens para a conquista da cidade pequena? Senhor! Vivi como cidadão comum durante uma semana em cada cidade. Na grande, os comerciantes eram desonestos e praticavam uma concorrência desleal. As famílias eram desunidas, invejavam-se mutuamente, não havia ética em seus comportamentos e faltava o primordial respeito ao cidadão. Quanto ao exército, encontrava-se dividido, sem liderança, sem espírito patriótico. Não encontrei nenhum político honesto! As mulheres viviam na luxúria, as crianças não recebiam carinho dos pais, enfim, era uma cidade fácil de ser dominada. Quanto à cidade pequena, tudo era exatamente o contrário, a começar pela ótima educação social e patriótica que as crianças recebiam, o esporte era o meio para um ótimo porte atlético e uma saúde invejável, proporcionada pelo governo. As crianças sabiam distinguir o momento do dever e da obrigação. Percebi senhor, que ali se formavam homens de caráter e de grande valor; consequentemente deveria ter um exército, também, de valorosos soldados... Um país forte Alteza, se constrói com homens e instituições fortemente estruturados. Tem que ser um governo inteligente e voltado para o bem comum, um governo que tenha um caráter de boa índole e visionário! Não basta através do sofismo e de artimanhas inconfessáveis dar demonstração de ser um governo competente; o governo tem que ser honesto e competente realmente, pois não conseguirá enganar a todos o tempo todo... Um governo voltado para o fortalecimento apenas da estrutura de manutenção do poder é um governo fraco a governar na terra de néscios. Há que se tomar cuidado e observar se os governos de nações fronteiriças enxergam mais que um governo caolho em terra de cegos! J. Roberto de Carvalho |
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