roberto's profilejJ. ROBERTO DE CARVALHO ...PhotosBlogListsMore Tools Help

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    June 19

    Insanidade ou paixão

    Segundo  Spencer, a paixão é a mais intensa e inebriante insanidade passional inerente ao caráter humano. Surpreende-nos quando se manifesta num pleno estado de paz impregnando em nossas almas, ceifando-nos do incorpóreo e cristalino trancendentalismo espiritual com suas escuras e brumosas núvens  de irracionalidade infrene do desejo possessivo. Com a paixão vêm  as tempestades de lágrimas, a insensatez das súplicas, do desespero, da exaltação desmedida, do delírio frenético, do ódio exasperado, dos conflitos silenciosos e do silêncio ensurdecedor da solidão. Libertam-se os primitivos e indomáveis imperativos animalescos que se encontram latentes nos mais longínquos e profundos recônditos do intelecto e da razão humana, da índole selvagem originada nos priscos do surgimento da criatura humana e da sua estrutura emocional  e insipiente, do desenvolvimento configurativo concernente ao seu pragmático conteúdo  intelectual. Ainda, sob a ótica conceitualística de Spencer, a paixão é a síntese de todas energias metafísicas e além corpóreas da espécie humana, manifestando-se com intensidade elevada,nas mulheres com o perfil de Afrodite. Estamos falando da Vênus Afrodite, esta que nasceu segundo a mitologia grega, das espumantes ondas do mar, nua e pura, e cuja sensualidade manifestou-se em constante e afetuoso carinho dinamado de sua romântica e ardente sexualidade ...
    Outras  são, vênus lascívias, das quais o amor traspira em ígnia e insana estupidez amorosa, dos sonhos e delírios do desejo de que uma longa fila de amantes no cio, assim como em os ceiferos que DÀnúzio descreveu com extrema fidelidade e riqueza de detalhes em "A filha de Jônio". Finalmente, as vênus que personificadas na pandêmica luxúria, facilmente acessível a todos que se dispuserem de fortunas incalculáveis para financiar seus prazeres carnais sobre um esplendoroso gobelim. Tais afrodites , como disse o poeta, "sentem toda amultidão da estrada desfilar sobre seus corpos..."
     

    Falando sobre FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT

     

    Citação

    FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT

     

                      FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANTF

    Heterônimo é o nome de uma personagem imaginária a quem, o autor ou escritor usa para assumir a autoria de sua(s) obra(s), com características e conceitualizações diferenciadas da sua real visão de mundo. Os heterônimos de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro campos ) além de muitos outros, tal como Bernardo Soares. Nos caminhos não só poéticos de Fernando Pessoa, encontraremos o porquê desses heterônimos, suas origens, causas e efeitos , objetivo ao qual se propôs o verdadeiro autor, bem como, os seguimentos delineados e pontualizados explicitamente pelo poeta  ao longo dos meandros labirínticos de suas obras.

    Provavelmente Fernando pessoa quis preencher o vazio do mundo abiótico do seu relacionamento pessoal com alguns amigos imaginários com os quais mantinha um diálogo transcendentalista, a discutir as convicções e de suas  realidades e das óticas existenciais do mundo de cada um, mesmo aqueles que pairavam além do seu universo físico e o da transcorporalidade.


                                          ALBERTO CAEIRO

    Sou um guardador de rebanhos,

    O rebanho é os meus pensamentos

    E os meus pensamentos são todos, sensações.

    Penso com os olhos e com os ouvidos

    E com as mãos e os pés

    E com o nariz e a boca.

     

    Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

    E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

     

    Por isso, quando num dia de calor

    Sinto-me triste de gozá-lo tanto.

    E me deito ao comprido na erva,

    E fecho os olhos quentes,

    Sinto todo meu corpo deitado na realidade,

    Sei a verdade e sou feliz.

     

    CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTE POEMA

    Do tomo Dois de “COMO LER FERNANDO PESSOA”

    “Nesse poema simples e claro, Alberto Caeiro nos expões sua postura em relação à realidade que o circunda: seu conhecimento da Natureza e do mundo é obtido por meio dos sentidos; seu pensamento é justamente o conteúdo de suas emoções. Assim, viver é simplesmente sentir: a felicidade consiste em “deitar-se ao comprido na relva”, a fim de sentir o próprio “corpo deitado na realidade”. Fernando Pessoa diz ter colocado em Alberto Caeiro “todo seu poder de despersonalização dramática”. Se você considerar que a atividade mental de Pessoa foi sempre lúcida e racional, poderá perceber o alcance dessa afirmação. Afinal, deve ter sido extremamente difícil para um homem do nosso tempo, comprimido por séculos de racionalismo, criar e sustentar um poeta cuja visão de mundo não era visão de mundo, e sim sensação de mundo.

     

    Não me importo com rimas. Raras vezes

    Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.

    Penso e escrevo como as flores têm cor

    Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me

    Porque me falta a simplicidade divina

    De ser todo só o meu exterior...

    Olho e comovo-me

    Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,

    E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...

     

    Poesias, como o fluir espontâneo do levantar do vento. Nota-se um conteúdo de insatisfação na alma do poeta por não conseguir ser tão expressivo como as flores. Pois não consegue conter o avanço do seu exterior para o além das fronteiras do seu interior. Queria ser ele sensações imunes à intelectualidade do racionalismo. Não consegue o poeta despir-se dos hábitos da racionalidade...

     

    ENTENDENDO KANT

    A sensação de mundo de Fernando pessoa corresponde ao empirismo de Emmanuel Kant.

    Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, por que, com efeito, como haveria de se exercitar a potencialidade cognitiva inteligível, se não fosse pela percepção das sensações que se nos oferece o meio ao nosso entorno, estimulando a nossa estrutura neuro/moto/sensorial para a correta dedução, comparação e seleção dos objetos, produzindo assim valores representativos e significativos de uma visão do mundo real das sensações, das causas e dos efeitos perceptíveis à nossa compreensão “a priore” e empírica. Deitar-se sobre a relva e sentir a realidade, nada mais é do que, uma experiência empírica e a sensação de mundo que dizem respeito à leitura interpretativa, analítica e crítica da nossa sensoralidade equacional na comparação dos valores característicos de uma seleção de valores intuitivos, quanto a sensação de realidade...

    O questionamento de que, seria possível um conhecimento espontâneo e independente do universo da dinâmica empírica paralela e independente das impressões dos sentidos, lança-nos de encontro ao conceito Kantiano do “A priori”, sendo essa conceitualização a denominação aplicada ao provável conhecimento independente e espontâneo (conhecimento anterior ao conhecimento posterior do empirismo). Assim como um algoritmo que serve de regras normativas de procedimento e interpretação para a compreensão de uma equação matemática, preservando-se as impossibilidades universais da inexatidão das inequações. Sendo assim, essa expressão algébrica, tal como a expressão e representação das sensações de mundo não são abrangentes à todos os segmentos conceituais dos significados da questão proposta, senão porque, há conhecimentos que deveriam, independente da experiência, isto é, pelo senso comum, servirem de via de regra, mas sem ser rotulados de “a priori”; portanto, consideremos “a priori” todo conhecimento adquirido independentemente de qualquer experiência, digamos pois, se encontrarmos uma proposição que tem que ser pensada com caráter de necessidade, tal proposição é um juízo de valor “a priori”,  mas se além disso não possui raízes de origem, e só se concebe por si mesma como necessária, será então fundamental e absolutamente “a Priori”

    A seguir, sabemos que a experiência não fornece nunca juízos de valores universais sobre a verdade e a realidade, com a exata e rigorosa exatidão científica, declinando assim, para a generalidade conceitual indutiva, portanto, não se caracterizando como “a priori”, gênero tal que, não admite qualquer exceção para a inexatidão existencial. Assim como o disco rígido do computador é programado por diretrizes e normativas protocolares algoritimizadas para as funções iniciais de comando (Boot), também o é nosso cérebro, detentor de certos princípios sensoriais que orientam nossa cognição para a exata dedução de causas e feitos da universalidade de valores constantes nas comparações das observações dos fenômenos similares, manifestando então a teoria científico-filosófica de Emmanuel Kant.

     

    Entendo eu, quis Fernando Pessoa, fugir do universo épico de uma só personagem autora criando-se suas derivações personalizas, configuradas desde de um intelecto em conflito com alguma dualidade entre a racionalidade do seu interior transcendental e seu exterior metafísico, entre suas sensorialidades emotivas interiores, e suas sensações do real exato externo...

    J. Roberto de Carvalho

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