roberto's profilejJ. ROBERTO DE CARVALHO ...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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May 31 MULHERES IMORTAISEm seu jovem semblante transbordava uma fascinante e demoníaca dualidade angelical, fronteiriça entre o sagrado e o profano. Feiticeira diante da juventude incauta buscava a conquista e a sedução de Lancelot numa insana e indômita obsessão, despertando uma intrigante admiração na alma daqueles que a conheciam em sua doce deidade natural... A Morgan Arthuriana, a dama de Avalon, a personagem de “Ogier the Dane”; a encantadora Morgana de Ariost, a miragem rutilante de “Start of Messina,” sedutoramente fulgorosa era a personificação da magia e da sensualidade transcendental de uma encantadora mulher. Havia na suavidade dos seus trejeitos a felinidade, o poder e a força de despertar encantos tais que, subjugando audazes e intrépidos guerreiros, ductilmente como era do seu fetiche, brincava com os sonhos, os desejos e as emoções dos simples mortais!
Assim como nos pródomos lendários, Morgan, a feiticeira, inconscientemente trazia em seu intelecto quase selvagem uma alma subtraída da essencialidade do bem, dom este, próprio de uma poderosa, paciente e contagiante benevolência, um portentoso atributo inerente à sua imortal espiritualidade. Mas sob a ótica de uma ideológica e dogmática religiosidade, sua personagem foi transfigurada e rotulada como demoníaca e conseqüentemente associada ao “ao profundo e tenebroso recôndito do mau”. Perdeu sua hipotética “divindade” ,sendo chamada de bruxa e lançada ao paganismo pela perseguição dos poderosos da época, tendo sido consequentemente relegada à condição de, nada além, duma vil pagã mortal, diante dos seus mais fiéis admiradores!
A paixão é a mais intensa e inebriante insanidade passional, sentimento este, inerente ao caráter humano. Surpreende-nos intempestivamente, quando arrebata da nossa incorporalidade transcendental o estado de profunda paz, lançando-nos às trevas das brumosas nuvens de irracionalidade e do infrene desejo da posse. Com a paixão ocorrem conseqüentes tempestades de lágrimas nascidas na insensatez das súplicas, do desespero e da exaltação desmedida do delírio frenético do ódio exasperado e do conflito silenciosamente ensurdecedor da solidão. Libertam-se então os primitivos e indomáveis imperativos do instinto animalesco, latentes nos mais longínquos horizontes da alma selvagem dos priscos existenciais da criatura humana e do desenvolvimento do seu caráter emocional rudemente estruturado sob o prisma do seu programático e pragmático conteúdo intelectual. Segundo Spencer, a paixão é a síntese de todas as energias metafísicas além corpóreas do ser humano, manifestando-se com maior intensidade nas românticas almas femininas, assim como a deusa do amor Fria ou Frigg para os germânicos (uma adaptação do latim dies veneris (dia de Vênus, a deusa nórdica da formosura), sexta- feira na língua inglesa (Friday) – Afrodite para os gregos, Vênus para os romanos – esta que surgiu segundo a mitologia grega da espuma do mar, nua e pura, configurando-se na personificação do amor e do desejo, cujo sensualismo romântico revestia-se de uma ardente sexualidade. Encontraremos outras, tal e qual, a Vênus lascívia, na qual o amor transpirava sensualidade despertando-lhe sonhos e desejos de que, uma longa fila de amantes no cio, como os ceifeiros em que D’Anúzio descreveu fielmente, e com certo requinte de detalhes em “a Filha de Jônio”. Existem também aquelas que são verdadeiras Vênus pandêmicas, irresistivelmente acessíveis a todos que se lhe dirigem com galanteios românticos, essas que vendem o corpo por um punhado de moedas, e das quais, poder-se-ia dizer, na linguagem do poeta que, “toda multidão da estrada passou sobre seu corpo”.
Ao focarmos nossa análise sobre a participação da mulher na história, mais especificamente sobre a idade média, notamos que a classe dos historiadores esqueceu ou não teve a sábia sensibilidade humanamente inteligível tão necessária, tão ausente nas mentes dos líderes da época do obscurantismo ou, da idade das trevas, para observar, mesmo que passivamente, num mundo dominado e mergulhado no domínio machista e absoluto da ideologia dogmática religiosa, que elas, as mulheres, não representavam a sombra ameaçadora sobre os descaminhos religiosos, versão esta, alimentada sobre o que os “lideres” consideravam como o “universo misterioso feminino”. O pouco conhecimento que dispomos sobre as mulheres da época nasceu ou teve origem, ou foram elaborados sobre os fundamentos conceitualistas das ilações escolásticas da Igreja sobre um pensamento e sentimento preconceituoso que provocou uma forte aversão ao poder da sensualidade do sexo "frágil" e seus decorrentes encantos físicos / naturais, elevados e contabilizados nas entranhas da “bruxaria” e do mundo hórrido do mau, ou seja, do mundo “pecaminoso” dos quais os religiosos deveriam se afastar. “Descendentes diretas de Eva, “possuidoras de atributos carnais lascivos e perniciosos, culpadas pela queda do caráter divino do gênero humano na ocasião do primeiro pecado, tornando-se más e seviciosas, havia de se tomar certos cuidados específicos com respeito às mesmas.” Não foi diferente com Joana Darc, a virgem de Lorena, a donzela de Orleans, a padroeira da França. Não estou aqui na figura sectária de um credor de suas visões, muito menos a de um cético de insana irracionalidade, mas como um amante incondicional do destemor de uma personagem que transcendeu a sua época por meio da “divindade adquirida” num ímpeto reparatório de justiça por parte dos seus algozes perseguidores.
Interrogada diante dos altos dignatários do clero da época da Inquisição, com o único propósito de desacreditá-la de sua palavra diante dos seus mais féis seguidores e proclamá-la herege diante do sagrado, perguntaram-lhe: - Você acredita estar em estado de graça?
- Se eu estiver que Deus me conserve assim, se eu não estiver que Deus me permita ficar!
Merlin, o mago, dedicado colaborador e conselheiro do rei Artur, previu a guerra dos cem anos dizendo que esta seria definida a favor da França por meio da ação de uma mulher da região de Lorena, “a virgem”, lenda que incorporou a guerra de ambos os lados contendores. O surgimento desta guerreira, soldado e heroína de Lorena, despertou a fúria da Igreja que, dissimuladamente, e por meio dos ingleses que a transformaram em mercadoria com fins ideologicamente políticos, colocou a ao alcance do clero que, com subterfúgios ignóbios e procedimentos aviltantes a declarou herege levando-a a uma morte cruel em plena praça do mercado na cidade de Ruen onde foi queimada viva, não sem antes ter um crucifixo a altura dos olhos para seu “conforto espiritual” diante do iminente suplício pelo qual passaria... Queimada viva diante da multidão horrorizada, já no ultimo momento de lucidez que lhe restava, murmurou baixinho aos ouvidos do seu Deus: Pai, se me amas, mate-me agora! Num acontecimento inexplicável, e para a perplexidade do carrasco, o coração da guerreira não se queimou, e juntamente com as cinzas do que restou do seu corpo foi jogado no rio Sena. Mas, se analisarmos “o moto contínuo temporal”, em suas revoluções históricas em relação à humanidade, não poderemos deixar de reconhecer a presença marcante e incorpórea dessas mulheres e tudo o que representaram e continuam representando como exemplo de determinação, ousadia e coragem, no confronto com opiniões ideológicas, teológicas e sectárias, diante do poder e da irracionalidade dos desmandos das autoridades governamentais de todos os tempos. j. Roberto de Carvalho
ARQUEOLOGIA E PERÍCIA CRIMINALARQUEOLOGIA E PERÍCIA CRIMINAL Perguntou-se, e ainda não foi dada a correta definição do que realmente significa a arqueologia. Houve quem afirmasse ser ela uma ciência, houve até quem a definisse como arte. Antes de defini-la, seria, de correto procedimento, traçar-lhe o seu perfil adequado, como ferramenta do estudo da história do mundo e de suas principais estruturas científicas de apoio, envolvidas nas descobertas das pistas, evidências e provas científicas na constatação verídica das teóricas suposições acerca dos fatos indiciosos... Tenho comigo, não a pretensa sabedoria de afirmar que, a arqueologia não seja uma ciência, mas discutir sua verdadeira identidade estrutural de funcionalidade de busca e pesquisa da verdade histórica do nosso mundo desde os primórdios existenciais da espécie humana, e sua evolução cronologicamente documentada. Afirmo e atesto que a arqueologia se apóia em ramos científicos para constatação da real factualidade dos fenômenos e incógnitas enigmática. Na obra – A Descoberta do Mundo – em “Druidas, Heros e Centáures”, de Maurice Bell – 1959, o autor afirma que não basta o uso de certos universos científicos para que determinadas áreas de estudos e pesquisas sejam consideradas disciplinas científicas. “A arqueologia é uma disciplina na qual as questões de apreciação se sujeitam à subjetividade de avaliações de conhecimentos pessoais, cuja credibilidade da lógica e exata interpretação declina para um julgamento teórico sobre possíveis eventualidades, eis porque, em geral, há tão pouco entendimento entre os arqueólogos e suas diversas “escolas”! A esses arqueólogos que julgam tudo poder explicar partindo de um caco de cerâmica, é essencial recordar as palavras do historiador Políbio, que Sir Mortimer Wheeler, quando propõe à sua meditação: ‘Os que crêem que pelo estudo de seus fragmentos podem obter um entendimento justo e equilibrado da história acham-se na situação dos que julgassem poder compreender, pela contemplação dos membros dispersos de um corpo outrora vivo, tudo o que há de vida e beleza numa coisa animada’. Estão esses arqueólogos, de certo modo, na situação daquele arqueólogo imaginário cuja carreira científica, Sir Mortimer citou: descobriu ele o tonel de Diógenes, mas deixou Diógenes completamente de lado para escrever artigos sobre a tipologia dos tonéis, classificando-os em categorias de A, B, C, descobrindo uma cultura tradicional dos construtores de tonéis e grafando as possíveis migrações em complexos mapas geográficos, mas esqueceu tal arqueólogo da personagem indispensável para a história – o filósofo cínico! O que podemos fazer sem receio de cometer um erro grosseiro é classificar a arqueologia como uma ciência humana e de possíveis maculaturas em erros ocasionados por sua essência de avaliação subjetiva, ou seja, uma ciência falível; passível de falhas. Portanto, não faltarão esclarecimentos de pormenor valores a esclarecer fundamentais detalhes da essencialidade da lógica na apuração da verdade inconteste sobre a realidade de fatos incognoscíveis e de invioláveis conhecimentos que por certo delimitarão nosso conhecimento a respeito da onisciência... Mas onde entra nesse contexto a perícia criminal? Em matéria de estrutura operacional e funcional podemos considerá-la exatamente como a arqueologia – também depende de ciências e conhecimentos auxiliares para estudar as eventuais subjetividades teóricas de fatores desconhecidos e, cuja constatação verídica dependerá de avaliações e apreciações pessoais, portanto, de cunho interpretativo, o que a torna matéria de subjetiva credibilidade fundamentada, muitas vezes, em hipotéticas ilações conjecturais... Mas a leitura que os dados de resoluções inquestionáveis proporciona, desde que esteja a altura, ou seja, do conhecimento de quem os manipula, pode oferecer contemplações e observações logicamente dedutíveis e indiscutíveis quanto aos fatores e valores fundamentados em evidências cientificamente elaboradas. É o caso do CO14 para determinação da idade de uma massa corpórea – com alguma margem de aproximação para mais ou para menos anos estimados. No caso da perícia técnica; dependendo das probabilidades de recursos que o elemento pesquisado proporciona, e do tipo de pesquisa desenvolvido, poderá com exatidão de detalhes, obterem-se resultados e respostas especificamente esclarecedores sobre as características do objetivo focado; que é o caso da cadeia de DNA proveniente do núcleo celular ou da estrutura mitocondrial e suas respectivas escalas atômicas e subatômicas – a primeira como fundamento estabelecido dentro da origem familiar; a segunda advinda da estrutura mitocondrial do lado materno. A primeira tem um limite escalonar de probabilidade girando entre, mil a dez mil vezes, menor do que a primeira... Mitocôndrias e cloroplastos: produzem proteínas; possuem genoma próprio; genoma parecido com o código genético dos modernos procariontes. Muitas das proteínas desses organóides são sintetizadas pelos ribossomos das células hospedeiras, demonstrando que, com o tempo, mitocôndrias e cloroplastos podem ter deixado certas atividades por conta das células dentro das quais passaram a viver; são capazes de se autoduplicar. Fonte(s): http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.... A Teoria da Endossimbiose, criada por Lynn Margulis, propõe que organelas ou organóides, que compõem as células eucariontes tenham surgido como conseqüência de uma associação simbiótica estável entre organismos. Mais especificamente, esta teoria postula que os cloroplastos e as mitocôndrias (organelos celulares) dos organismos eucariontes (com um verdadeiro núcleo celular) têm origem num procarionte autotrófico – provavelmente um antepassado das cianobactéria actuais - que viveu em simbiose dentro de outro organismo, também unicelular, mas provavelmente de maiores dimensões, obtendo assim protecção e fornecendo ao hospedeiro a energia fornecida pela fotossíntese. May 29 A DESCOBERTA DO Jardim do Éden AMAZÔNICO
A DESCOBERTA DO Jardim do Éden AMAZÔNICO Quando a tecnologia permitiu que o planeta se tornasse mais conhecido e a ciência fraguimentou a “Abóbada Celeste” em bilhões de galáxias com seus planetas, astros, buracos negros, buracos de minhoca e tecido plasmático; os religiosos procuraram colocar o “Paraíso” fora do alcance dos instrumentos científicos. O ser humano sonha em ser acolhido nos braços de um ser supremo, num aconchegante colo divino que lhe devolva o sentido da felicidade de uma existência tranqüilamente segura, assim como a deliciosa ingenuidade de uma criança que se sente seguro nos braços dos pais... Sem a expectativa de uma existência feliz numa espécie de jardim recluso num futuro distante – essa tolice utópica criada pela mente humana – que fortalece e encoraja o intelecto e a alma do homem, e que lhe permite suportar o peso de uma existência conflitante, enigmática e cheia de mistérios, lhe dá um suporte de coragem e alívio no sentimento de consciência de se estar vivendo temporalmente num mundo físico instável. NA IDADE – média os homens sonharam com o dia em que chegando ao Oriente, poderiam ver o Jardim do Édem com os próprios olhos. A Suméria, a mais antiga civilização do planeta cresceu organizada na Mesopotâmia. Daí surgiu e se expandiu para o Ocidente os priscos do mito Jardim do Édem por intermédio da obra de Gilgamesh, dando início ao gênero épico. Uma obra que diz respeito às peripécias do rei Uruk em sua busca pelo soro da eterna juventude. Era esse o paraíso sumério! OS ORIENTAIS – têm conquistado um número considerável de sequitários ocidentais que aceitam abertamente as suas concepções de paraíso, onde o mesmo é definido como um estado de espírito que deve ser alcançado pelo esforço individual num estado de nirvana. Uma visão que se enquadra ao individualismo que reina em nosso tempo. Esse paraíso só é alcançado por aquele que se dispuser a aceitar uma disciplina espiritual da ética moral e da honestidade. Sendo assim, o paraíso torna-se um prêmio à dedicação de cada indivíduo na atitude harmônica existencial entre o ser e a natureza. Mas a modernidade e o progresso científico não foram generosos com a religiosidade e o paraíso foi lançado para além da materialidade corpuscular, no universo da intangibilidade. E assim, a progressiva dessacralização dos mitos desfigurou a possibilidade racional de um Jardim do Édem terreno; depois a Abóboda Celeste foi pulverizada por bilhões de galáxias, estrelas, planetas, cortina plasmática, etc. Cristóvão Colombo supunha ter chegado ao paraíso em 1498 na sua última viagem à terra que hoje conhecemos por Continente Americano, mas tinha ele a quase certeza de que se tratava do jardim que Deus havia criado para que Adão e Eva vivessem felizes para sempre; Colombo morreu ciente do seu achado. No mundo contemporâneo (moderno) o paraíso está representado pelos imensos shoppings, condomínios fechados, um lugar com seus maravilhosos pontos turístico para se gozar as merecidas férias longe do infernal e caótico trânsito e da insana luta pela sobrevivência. É possível que cada ser humano se sinta culpado ao observar passivelmente a destruição da natureza, que esse tal paraíso moderno está provocando, e que, provavelmente, mais do que se previa, a extinção dos seres viventes sobre a face do planeta está próxima! Na realidade, nós, todos os seres viventes, predadores racionais, estamos tomando consciência de que, o nosso planeta, este sim, era o verdadeiro paraíso onde tínhamos à nossa disposição tudo o que precisávamos para uma existência tranqüilamente segura. Mas o mundo atual destruiu a maior parte do seu “Jardim Recluso”, e perplexo assiste a fúria da natureza começando a reagir à alma irracional e predadora do ser humano. Ocorre que, como conta a história, a busca do Jardim mágico continua, e já encontraram um – a Amazônia Brasileira! Só que os pecadores querem entrar no “Paraíso a qualquer custo. Estão desesperados para saírem do inferno no qual estão transformando o planeta sem purificarem suas almas de economistas selvagens e seus instintos insanos pelo poder! J. Roberto de Carvalho May 23 AMAZÔNIAEM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É REI!!! Existiu, outrora, um grande principado oriental, governado com muita sabedoria por um famoso sultão muçulmano. Para que o seu principado se tornasse poderoso e indestrutível, era preciso conquistar duas cidades fronteiriças. Como sempre acontecia, no momento de tomar uma importante decisão, o príncipe consultava o sábio vizir, sendo assim, mandou chamá-lo: – Quero que me informes de quantos homens seja necessários para conquistar a cidade grande que fica ao sul de nossa fronteira, e de quantos precisarei para conquistar a cidade pequena que fica ao norte. O vizir ouviu o príncipe com atenção, ficou em silêncio por instantes, pensativo, e respondeu a seguir: – Nobre senhor, são necessárias duas semanas de prazo para que eu esteja apto a informar Alteza, com acerto, o número de tropas necessárias para conquistar as referidas cidades. De imediato o sultão concedeu ao vizir o prazo solicitado; o vizir, disfarçado de povo, foi viver na cidade grande. Percorrendo as ruas pode observar os comerciantes. Soube dos preços das mercadorias, conversou com os habitantes, freqüentou suas casas. Estudou seus princípios, usos e costumes. Passada uma semana, deslocou-se para a cidade menor e repetiu tal procedimento. Ao final das duas semanas o vizir retornou ao palácio e aguardou o chamado do príncipe. Tomando conhecimento do retorno do sábio, o príncipe convocou-o a comparecer à sua presença para saber do resultado das suas pesquisas sobre as informações solicitadas. – Espero que possuas as respostas referentes à minha consulta, sendo assim, diga-me, de quantos homens precisarei para conquistar a cidade grande. O vizir respondeu: – Manda imediatamente mil homens e a cidade será conquistada sem qualquer dificuldade. O sultão mandou chamar seus generais e ordenou que esses convocassem mil homens e os armassem e marchassem para invadir a cidade grande. Assim foi feito. Quando os soldados do principado invadiram a cidade o combate durou apenas algumas horas, até que a cidade fosse dominada e dela o sultão se apoderasse. Foi enviada à sua alteza por meio de um mensageiro a notícia da vitória. Ao Saber que a cidade havia sido tomada em poucas horas o príncipe mandou chamar o sábio e lhe disse: – Quero que sejas o primeiro, a saber, depois de mim, que a cidade grande é nossa. Os meus homens conquistaram-na facilmente. – Felicito sua nobre Alteza. Estava convicto da facilidade de se conquistar a cidade grande. – Diga-me: quantos homens serão necessários para conquistar a cidade pequena? – Para conquistar a cidade pequena necessitaras de quarenta mil homens... O sultão levantou-se do trono com o cenho embrutecido pela cólera e disse rusticamente para o vizir: Como? Estás gracejando? Se para conquistar a cidade grande precisei de apenas mil homens, como queres que eu acredite que para conquistar a cidade pequena eu necessite de quarenta mil? – Meu senhor, será necessário que se envie quarenta mil homens para a conquista da cidade pequena! Contrariado, o sultão com ar severo se dirigiu ao vizir: – Tens até amanhã pela manhã para reconsiderar tal informação e me dar a resposta correta. Vá e te apresentes amanhã pela manhã! O vizir fez as devidas reverências protocolares e se retirou calmamente. Adormeceu profundamente, e ao amanhecer já estava de pé aguardando ser chamado pelo príncipe. E assim aconteceu. Já em audiência com o monarca, ouviu este dizer: – A noite é boa conselheira. Agora espero que me responda com sabedoria. Quantos homens serão necessários para conquistar a cidade pequena? Antes que o príncipe terminasse de se acomodar em seu trono o vizir respondeu: – Quarenta mil! Imediatamente o rei se levantou do trono e caminhou na direção do vizir: – Você está sendo insensato; vou te perguntar pela última vez, responda-me criteriosamente, de quantos homens eu vou precisar para conquistar a cidade pequena? Inabalável em sua postura, o sábio respondeu: Quarenta mil, Alteza, e não será tão fácil quanto foi a conquista da cidade grande! – Tudo bem, assim será feito. Mandarei os quarenta mil homens, mas quanto a vossa autoridade, ficará prisioneiro até que se conquiste a cidade pequena, então serás julgado! O vizir permaneceu impassível e aguardou que os guardas os conduzissem até a prisão. O príncipe permaneceu cabisbaixo e pensativo: “O vizir durante todo o seu vizirato, sempre o aconselhara com sabedoria. Havia muitos anos que era seu fiel conselheiro particular, e jamais se enganara, mas agora demonstrava irritante insensatez. Após longa e sangrenta batalha que durou meses, finalmente conquistou-se a cidade pequena, mas à custa de se perder mais da metade da tropa. Enviou-se ao monarca a boa notícia. O príncipe ordenou que trouxessem o vizir à sua presença. – Quero que saibas que a cidade pequena foi conquistada, apesar de termos perdido grande parte da tropa, mas exijo que me expliques por que foram necessários quarenta mil homens para a conquista da cidade pequena? Senhor! Vivi como cidadão comum durante uma semana em cada cidade. Na grande, os comerciantes eram desonestos e praticavam uma concorrência desleal. As famílias eram desunidas, invejavam-se mutuamente, não havia ética em seus comportamentos e faltava o primordial respeito ao cidadão. Quanto ao exército, encontrava-se dividido, sem liderança, sem espírito patriótico. Não encontrei nenhum político honesto! As mulheres viviam na luxúria, as crianças não recebiam carinho dos pais, enfim, era uma cidade fácil de ser dominada. Quanto à cidade pequena, tudo era exatamente o contrário, a começar pela ótima educação social e patriótica que as crianças recebiam, o esporte era o meio para um ótimo porte atlético e uma saúde invejável, proporcionada pelo governo. As crianças sabiam distinguir o momento do dever e da obrigação. Percebi senhor, que ali se formavam homens de caráter e de grande valor; consequentemente deveria ter um exército, também, de valorosos soldados... Um país forte Alteza, se constrói com homens e instituições fortemente estruturados. Tem que ser um governo inteligente e voltado para o bem comum, um governo que tenha um caráter de boa índole e visionário! Não basta através do sofismo e de artimanhas inconfessáveis dar demonstração de ser um governo competente; o governo tem que ser honesto e competente realmente, pois não conseguirá enganar a todos o tempo todo... Um governo voltado para o fortalecimento apenas da estrutura de manutenção do poder é um governo fraco a governar na terra de néscios. Há que se tomar cuidado e observar se os governos de nações fronteiriças enxergam mais que um governo caolho em terra de cegos! J. Roberto de Carvalho |
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