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June 19 Insanidade ou paixãoSegundo Spencer, a paixão é a mais intensa e inebriante insanidade passional inerente ao caráter humano. Surpreende-nos quando se manifesta num pleno estado de paz impregnando em nossas almas, ceifando-nos do incorpóreo e cristalino trancendentalismo espiritual com suas escuras e brumosas núvens de irracionalidade infrene do desejo possessivo. Com a paixão vêm as tempestades de lágrimas, a insensatez das súplicas, do desespero, da exaltação desmedida, do delírio frenético, do ódio exasperado, dos conflitos silenciosos e do silêncio ensurdecedor da solidão. Libertam-se os primitivos e indomáveis imperativos animalescos que se encontram latentes nos mais longínquos e profundos recônditos do intelecto e da razão humana, da índole selvagem originada nos priscos do surgimento da criatura humana e da sua estrutura emocional e insipiente, do desenvolvimento configurativo concernente ao seu pragmático conteúdo intelectual. Ainda, sob a ótica conceitualística de Spencer, a paixão é a síntese de todas energias metafísicas e além corpóreas da espécie humana, manifestando-se com intensidade elevada,nas mulheres com o perfil de Afrodite. Estamos falando da Vênus Afrodite, esta que nasceu segundo a mitologia grega, das espumantes ondas do mar, nua e pura, e cuja sensualidade manifestou-se em constante e afetuoso carinho dinamado de sua romântica e ardente sexualidade ...
Outras são, vênus lascívias, das quais o amor traspira em ígnia e insana estupidez amorosa, dos sonhos e delírios do desejo de que uma longa fila de amantes no cio, assim como em os ceiferos que DÀnúzio descreveu com extrema fidelidade e riqueza de detalhes em "A filha de Jônio". Finalmente, as vênus que personificadas na pandêmica luxúria, facilmente acessível a todos que se dispuserem de fortunas incalculáveis para financiar seus prazeres carnais sobre um esplendoroso gobelim. Tais afrodites , como disse o poeta, "sentem toda amultidão da estrada desfilar sobre seus corpos..."
Falando sobre FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT
Citação FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT July 29 FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANT
FERNANDO PESSOA/EMMANUEL KANTF Heterônimo é o nome de uma personagem imaginária a quem, o autor ou escritor usa para assumir a autoria de sua(s) obra(s), com características e conceitualizações diferenciadas da sua real visão de mundo. Os heterônimos de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro campos ) além de muitos outros, tal como Bernardo Soares. Nos caminhos não só poéticos de Fernando Pessoa, encontraremos o porquê desses heterônimos, suas origens, causas e efeitos , objetivo ao qual se propôs o verdadeiro autor, bem como, os seguimentos delineados e pontualizados explicitamente pelo poeta ao longo dos meandros labirínticos de suas obras. Provavelmente Fernando pessoa quis preencher o vazio do mundo abiótico do seu relacionamento pessoal com alguns amigos imaginários com os quais mantinha um diálogo transcendentalista, a discutir as convicções e de suas realidades e das óticas existenciais do mundo de cada um, mesmo aqueles que pairavam além do seu universo físico e o da transcorporalidade.
ALBERTO CAEIRO Sou um guardador de rebanhos, O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos, sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso, quando num dia de calor Sinto-me triste de gozá-lo tanto. E me deito ao comprido na erva, E fecho os olhos quentes, Sinto todo meu corpo deitado na realidade, Sei a verdade e sou feliz.
CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTE POEMA Do tomo Dois de “COMO LER FERNANDO PESSOA” “Nesse poema simples e claro, Alberto Caeiro nos expões sua postura em relação à realidade que o circunda: seu conhecimento da Natureza e do mundo é obtido por meio dos sentidos; seu pensamento é justamente o conteúdo de suas emoções. Assim, viver é simplesmente sentir: a felicidade consiste em “deitar-se ao comprido na relva”, a fim de sentir o próprio “corpo deitado na realidade”. Fernando Pessoa diz ter colocado em Alberto Caeiro “todo seu poder de despersonalização dramática”. Se você considerar que a atividade mental de Pessoa foi sempre lúcida e racional, poderá perceber o alcance dessa afirmação. Afinal, deve ter sido extremamente difícil para um homem do nosso tempo, comprimido por séculos de racionalismo, criar e sustentar um poeta cuja visão de mundo não era visão de mundo, e sim sensação de mundo.
Não me importo com rimas. Raras vezes Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra. Penso e escrevo como as flores têm cor Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me Porque me falta a simplicidade divina De ser todo só o meu exterior... Olho e comovo-me Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado, E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...
Poesias, como o fluir espontâneo do levantar do vento. Nota-se um conteúdo de insatisfação na alma do poeta por não conseguir ser tão expressivo como as flores. Pois não consegue conter o avanço do seu exterior para o além das fronteiras do seu interior. Queria ser ele sensações imunes à intelectualidade do racionalismo. Não consegue o poeta despir-se dos hábitos da racionalidade...
ENTENDENDO KANT A sensação de mundo de Fernando pessoa corresponde ao empirismo de Emmanuel Kant. Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, por que, com efeito, como haveria de se exercitar a potencialidade cognitiva inteligível, se não fosse pela percepção das sensações que se nos oferece o meio ao nosso entorno, estimulando a nossa estrutura neuro/moto/sensorial para a correta dedução, comparação e seleção dos objetos, produzindo assim valores representativos e significativos de uma visão do mundo real das sensações, das causas e dos efeitos perceptíveis à nossa compreensão “a priore” e empírica. Deitar-se sobre a relva e sentir a realidade, nada mais é do que, uma experiência empírica e a sensação de mundo que dizem respeito à leitura interpretativa, analítica e crítica da nossa sensoralidade equacional na comparação dos valores característicos de uma seleção de valores intuitivos, quanto a sensação de realidade... O questionamento de que, seria possível um conhecimento espontâneo e independente do universo da dinâmica empírica paralela e independente das impressões dos sentidos, lança-nos de encontro ao conceito Kantiano do “A priori”, sendo essa conceitualização a denominação aplicada ao provável conhecimento independente e espontâneo (conhecimento anterior ao conhecimento posterior do empirismo). Assim como um algoritmo que serve de regras normativas de procedimento e interpretação para a compreensão de uma equação matemática, preservando-se as impossibilidades universais da inexatidão das inequações. Sendo assim, essa expressão algébrica, tal como a expressão e representação das sensações de mundo não são abrangentes à todos os segmentos conceituais dos significados da questão proposta, senão porque, há conhecimentos que deveriam, independente da experiência, isto é, pelo senso comum, servirem de via de regra, mas sem ser rotulados de “a priori”; portanto, consideremos “a priori” todo conhecimento adquirido independentemente de qualquer experiência, digamos pois, se encontrarmos uma proposição que tem que ser pensada com caráter de necessidade, tal proposição é um juízo de valor “a priori”, mas se além disso não possui raízes de origem, e só se concebe por si mesma como necessária, será então fundamental e absolutamente “a Priori” A seguir, sabemos que a experiência não fornece nunca juízos de valores universais sobre a verdade e a realidade, com a exata e rigorosa exatidão científica, declinando assim, para a generalidade conceitual indutiva, portanto, não se caracterizando como “a priori”, gênero tal que, não admite qualquer exceção para a inexatidão existencial. Assim como o disco rígido do computador é programado por diretrizes e normativas protocolares algoritimizadas para as funções iniciais de comando (Boot), também o é nosso cérebro, detentor de certos princípios sensoriais que orientam nossa cognição para a exata dedução de causas e feitos da universalidade de valores constantes nas comparações das observações dos fenômenos similares, manifestando então a teoria científico-filosófica de Emmanuel Kant.
Entendo eu, quis Fernando Pessoa, fugir do universo épico de uma só personagem autora criando-se suas derivações personalizas, configuradas desde de um intelecto em conflito com alguma dualidade entre a racionalidade do seu interior transcendental e seu exterior metafísico, entre suas sensorialidades emotivas interiores, e suas sensações do real exato externo... J. Roberto de Carvalho http://poetasefilosofos.blig.ig.com.br http://serphiuns-historiasfantasticas.blig.ig.com.br Faça seu blog, no Ig – ciências – poetas & filósofos
July 22 LIBERDADE!
LIBERDADE! Surgiu no horizonte um clarão Rendendo à princesa muitas glórias. Extirpando os malditos odiados grilhões, Do céu da nossa história...
Ouviram-se cantos e solenes preces Dos negros escravos já libertados, Correndo livres pelo agreste Em busca dos seus antepassados.
“Neguinho” lépido e ligeiro Embrenhou-se senzala adentro; Sorriso esfuziante em rosto inteiro, Gritou: “Nego Véio!”, tu ta vendo?
Cantou sorrindo e contente, Mostrou seus pés, suas mãos; Contou pra toda sua gente, - Não sou mais escravo não!
“Nego Véio” ouviu vós “micê”?! Somos livres finalmente... E então indagou “Nego Véio”: - “E agora, o que vai sê dessa gente?
Pra que o canto e tanto riso, Se nada aqui vai “mudá.” Sô “véio”, mas tenho juízo; Aqui é meu “lugá...”
Levantando-se com dificuldade “Nego Veio” se pôs a andar Curvado em seu próprio peso Mal podia caminhar.
Contrastando a pele morena, Os cabelos já bem grisalhos, E centenas de rugas pequenas Marcando o cenho fechado.
Andar vacilante e trôpego, Passo cambo e já cansado; O ar lhe faltava no peito, Sentou-se pra descansar.
- “Liberdade veio tardia “Nego Véio” não vai se “importá”, Cego, não vejo o dia, Não vou a nenhum “lugá”...
J. Roberto de Carvalho (09/09/99) http://poetasefilosofos.bli.ig.com.br http://serphiuns-históriasfantasticasbli.ig.com.br
July 17 Sonhos napoleônicos - MITOS OU LENDAS?
Sonhos Napoleônicos – MITOS OU LENDAS? Reunindo dados históricos existentes sobre Napoleão, surpreende-nos, algumas atitudes desse general, como falhas de caráter, senso de justiça e aversão às regras do jogo do poder. Apesar de ser um aficionado no jogo de xadrez, era um péssimo jogador e perdedor. Estrategicamente, suas partidas se desenvolviam pela mentalidade do general que atacava pelo meio para dividir a força adversária, mas os ataques eram mal planejados e lhes acarretavam seguidas derrotas. Longe de estabelecer um juízo de valor sobre seus defeitos e qualidades, mesmo porque, todas as informações e opiniões sobre a maioria das personagens históricas, advêm de obras literárias elaboradas pelo crivo crítico subjetivo de meros historiadores. Seus livros são confiáveis? Provavelmente não poderemos colocar sob a ótica de qualquer tipo de suspeita os dados que aqui vamos expor, pois os mesmos tiveram origem na convivência da condessa Claire de Rémusat, dama de honra de Josefina, esposa de Napoleão, com a vida íntima do casal do qual era contemplada com toda confiança e simpatia. Em seu livro “As memórias da Condessa Claire de Rémusat”, a Condessa narra alguns fatos sob a ótica e o crivo da isenção, fundamentados na sua notável beldade, raros portentos morais e intelectuais e senso de justiça honesta, características das pessoas inteligentes e bem estruturadas intelectualmente. No entanto, absolutamente fiel a Josefina e a Napoleão, jamais escondeu sua desaprovação quanto às personagens das quais, Napoleão se cercava – homens corruptos, vulgares e imorais... Senhora de Rémusat descreve seu terror e desespero quando Josefina, com ar desconsolado lhe confiou que Bonaparte acabara de informar-lhe que mandara chamar o jovem Duque d’Enghien, e que este teria de pagar com a vida, sua participação em certas atividades rebeldes sobre as quais haviam sido encontradas algumas provas. Inúteis foram as argumentações de Josefina a favor do duque. Napoleão lhe disse rudemente que parasse de falar sobre o assunto. Na política, disse ele, uma morte que traga a paz não é crime (Cui finis licitus, etiam media sunt licita) O fim justifica o ato.
“MESTRE SOL” Sun Tzu, que na língua chinesa significa “Mestre Sol”, Foi um comandante chinês, também conhecido pelo nome de Sun Wu e Sun Tzi. Imagina-se que tenha vivido de 544 a 496 a.C. e que nasceu num estado nortenho de Ch’I, atualmente chamado Shangdong. Os textos originais sobre este comandante, conhecidos, editados e publicados como A Arte da Guerra, foram escritos, supõe-se, por volta de 510 a.C., quando Sun Tzu teria em torno de 46 anos de idade. Sabe-se; também que, houve adições nos textos originais de conteúdo atribuído a outro Sun; Sun Ping, um descendente direto de Sun Tzu, além de prováveis alterações e adaptações, pois que, ainda não foi encontrado nenhum manuscrito de autoria de Sun Tzu; e também nada consta sobre ter ele pertencido, como membro, à Aristocracia chinesa. Ganhou experiência em sua atividade mercenária como guerreiro comandante, tradição essa que se estendeu até seu descendente Sun Ping, o que faz supor que o mesmo tenha sido um membro do shih. O shih foi uma célula da aristocracia chinesa que tinha perdido suas terras e, como conseqüência disso, a maioria dos seus membros assumiu uma vida quase nômade, indo de uma região para outra, deixando a vida acadêmica em busca de trabalho como tutores entre as famílias mais abastadas e poderosas da China daquela época. O rei de Wu – Helu ou Ho Lu leu seu livro, A Arte da Guerra e se impressionou com as habilidades do comandante. O rei convocou-o para uma audiência – único relato registrado sobre sua vida – para que demonstrasse suas reais habilidades, como comandante; transformar as concubinas da corte em guerreiras... Sun Tzu aceitou o desafio e dividiu as concubinas em dois exércitos, iniciando os treinamentos com os ensinamentos sobre a marcha dos soldados. Mas ao chegar o momento de instruí-las com os tambores, algumas das concubinas começaram a rir descontroladamente. De acordo com sua doutrina, Sun Tzu preconizava que a ordem tinha que ser bem clara para ser entendida e executada, e esse entendimento era de responsabilidade do seu comando. Repetiu as instruções, mas as mulheres começaram a rir com o sentido de galhofa. Sun Tzu, sem titubear ordenou a execução de uma mulher de cada exército, foram decapitadas, entre elas a preferida do rei Ho Lu, que não pode reclamar, pois havia dado carta branca ao desafiado. Em pouco tempo Sun Tzu tinha sob seu comando, um exército de mulheres guerreiras imbatíveis... O princípio de que não se transforma sem quebrar antiga estrutura; ou não se faz omelete sem quebrar os ovos é o elo mais forte entre os dois comandantes – o francês e o chinês – senão vejamos. Sun Tzu viveu num período onde floresceu o brilhantismo das idéias filosóficas, principalmente as de Confúcio, que acreditou na hierarquia do sistema “deixa o soberano ser soberano e o súdito ser súdito”, porém concluiu, o um rei precisa ser justo e virtuoso para governar corretamente. Podemos constatar que os princípios éticos e morais nortearam o caráter de Sun Tzu. Quando se supõe que a causa de um rei ou comandante seja mais justa do que a do inimigo ou adversário, é corretamente ético procurar apoio em seus empreendimentos bélicos. Sun Tzu confundia o inimigo com sua filosofia de explorar os enganos da conduta adversária. Não se tem absoluta certeza do número correto de soldados que compunham seus exércitos, mas seus inimigos tinham sempre a impressão de estarem lutando contra uma força descomunal. “O objetivo não é aniquilar seu inimigo, mas conquistá-lo. Assim como a água penetra a terra, podemos com nossa mente penetrar o espírito e a mente inimiga e trazê-la para o nosso lado”
Sem dúvida nenhuma, o conceito filosófico dos fins justificarem os meios não caberia em “Líber de Moribus Hominum et Officius Nobiliun (o livro dos costumes do homem e dos ofícios dos nobres ) no sarcasmos de suas anedotas e sutilezas maliciosas das almas irreverentes e espiritualidades hilariantes, copiado por eclesiásticos e eruditos de todas as partes do planeta, tema deste livro, de conteúdo filosófico a respeito do jogo de xadrez. Existiram outros napoleões, o da bomba de Hiroshima por exemplo, o do holocausto etc., todos com a mesma falha de caráter: insensibilidade humana e ânsia de poder. Aplicavam-se ai as “sábias palavras” de um ditado latino – “Res modo formosae foris, intus erunt maculosae” – Cruz no peito, diabo nos feitos.”, Ex damno alterius, alterius utilitas ( A morte de um, é o remédio para a vida de muitos). “Todos esses ditados são argumentos que solidificavam a filosofia de que, uma parte do todo, não contemplará a glória da vitória e da conquista do objetivo e do bem maior, mas com certeza, seriam lembrados como elementos preciosamente fundamentais para a grande jornada e a conquista do sonho e do bem comum idealizado” pelos depostas sanguinários... Os sonhos não são propriedades exclusivas de uma só mente, de um só coração...
UM GRANDE SONHO NÃO SE SONHA SOZINHO - “O limite do homem é o limite de seus sonhos”, esta frase é de autoria de John F. Kennedy (Acredito que se referiu ao homem como espécie e humanidade) e que esta frase seja um conceito resumido de todo conteúdo convicto de Kennedy, que se refere a sonhos. Pois somos o que sonhamos, e possuímos o caráter e a alma do tamanho dos nossos sonhos, portanto, nossos sonhos devem transcender as fronteiras da corporalidade. Mas não podemos simplesmente sonhar, temos que realizar, e realizar potencialmente alto, mas tudo começa com um sonho, um desejo, e continua com nossa determinação e disposição para materializarmos nossos sonhos. E para que isso possa se transformar em realidade torna-se imperativo que acreditemos, em primeiro lugar, em nós mesmos, e que esse sonho não seja individual, seja nosso, porque quando sonhamos juntos, o sonho é uma realidade. Ninguém deveria sonhar o sonho de outra pessoa, pois não seria algo genuíno, verdadeiro e forte, mas todos devem sonhar o sonho de muitos, caso contrário, haveria poucas chances de se realizar, mas, se por ventura um sonho individual se realizar, provavelmente não traria realização plena.
J. Roberto de Carvalho – serphiuns@ig.com.br – jerrece@hotmail.com – http://poetasefilosofos.blig.ig.com.br – http://serphiuns-históriasfantasticas.blig.ig.com.br
July 11 SERPHIUNS, O GUARDIÃO
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SERPHIUNS O GUARDIÃO Há cerca de aproximadamente vinte e cinco dias, um homem aparentando cerca de cinqüenta anos, barba por fazer e uma gravata de cor azul desbotado, suja e nó quase desfeito repousava sobre uma camisa que já fora branca, hoje, amarelada pelo uso excessivo, e com o colarinho enegrecido pelo contato com um corpo que não se submetia ao conforto de um banho relaxante há um longo tempo. Aquele quase mendigo por onde passava deixava no ar um mau cheiro sudorífico insuportável exalado de um paletó surrado, amarrotado e impregnado de manchas de sujeira. Entrou num hoteleco de quinta ou nenhuma categoria em busca de hospedagem, numa região conhecida por “cracolandia”, muito freqüentada por viciados e traficantes de drogas “pesadas”, entre elas, a maior parte – o “craque” – um alucinógeno químico clandestino da pior espécie. Na boca m cigarro quase que retorcido, fala pausada e voz poderosamente tonitruante, aproxima-se do rapaz que se encontra na recepção, alto, magro, moreno, trejeitos femininos, que ao notar a presença da figura estranhamente miserável disse: se for quarto o pagamento é adiantado, vinte e cinco por dia; banho somente até as nove da matina e sem direito a desjejum. Aqui pelas redondezas existem muitos botecos onde se pode tomar um café com leite - acrescentou – vou abrir uma exceção pra você que está fedendo gambá, que me perdoem os gambás! Por favor, tome um banho que isso aqui é uma pocilga decente. O homem não respondeu e continuou a preencher a ficha de hospedagem. – Seu quarto é o vinte e um, fica a esquerda do corredor no final da escada; no terceiro andar, concluiu o hoteleiro... O hóspede pegou a mochila que havia deixado sobre o balcão, olhou fixamente para o recepcionista advertindo-o: - Não estou hospedado nesta pocilga e o senhor nunca me viu! Em seguida estendeu a mão na direção do rapaz e lhe deu uma nota de cinqüenta. Subiu a escada desaparecendo no corredor escuro, mas antes respondeu a última pergunta do recepcionista: Se eu nunca o vi, porque preencheu a ficha? - Se eu partir pra uma melhor use-a como achar melhor!
Sou um idiota mesmo, garanto que a ficha é “fria”; esse cara deve ser uma "chave de cadeia"! Seth, era esse o nome daquele eslovaco que à primeira vista não passava de um farrapo humano fracassado, mas que, na realidade, tratava-se de um cientista brilhante que, num passado próximo desfrutava de inestimável prestígio no colegiado científico das eventuais secretas, das quais participou com inquestionável competência. No presente momento, mais que motivo de força maior, era de imprescindível necessidade de preservação existencial as suas andanças sub-répteis pelo indesejado e vergonhoso mundo do anonimato. O cientista caminhou até a terceira porta à direita do corredor mal iluminado, imundo, com um odor característico de construção desabitada; é que na maioria das construções abandonada, geralmente usada pelo submundo para as suas necessidades fisiológicas, ou não, ficam sem qualquer manutenção de higiene. Enfiou a chave buraco adentro da fechadura e empurrou a porta que rangiu sobre os gonzos enferrujados. Foi tal o ruído, que parecia um ente fantasmagórico a cumprimentá-lo – “olááááááááááááá” . Tirou um lenço todo amarrotado do bolso do paletó enum gesto de repugnância, levou- ao nariz para não aspirar o ar pútedro que exalava desde o interior do aposento um fétido cheiro de urina e vômito. Ficou estático e indeciso. Estendeu a mão sobre o interruptor, acendeu a lâmpada que não iluminava mais do que a chama de uma vela; eu o primeiro passo e percebeu uma meia dúzia de baratas correndo assustadas com o rugido nervoso produzido pelo velho assoalho de madeira, como se houvesse alguém apertando os dentes uns nos outros diante da sua cólera humana. Procuraram as fendas das tábuas soltas, os cantos do quarto e o interior do velho guarda-roupa com suas portas entreabertas. A ventilação do quarto era péssima – uma janela de quarenta centímetros quadrados com uma nojenta cortina de plástico. A cama era um exemplar velho, com estrutura metálica toda enferrujada, fora de uso, por ter um estrado de molas barulhentas. Não havia lençol ou travesseiro e sobre o estrado tinha um colchonete de campanha já muito surrado, todo cheio de nódoas, o que o hóspede imaginava, fossem manchas provocadas por vômitos, suor e esperma. A nossa personagem rendeu seu corpanzil cansado ao domínio de um sono profundo, depois de jogar sua mochila num canto qualquer.
Enquanto isso, na Europa, mais especificamente, no sudeste francês, na região da Bretanha – no Golfo de Saint Malo situado no canal da mancha onde se localiza o porto do mesmo nome com seus três ancoradouros dá-se um encontro casualmente inusitado, isso no gueto de um velho burgo intramuros da cidade milenar do século XII e XIII, que empresta o nome ao referido golfo. Dentro dos muros do gueto medieval, envolvido por densa neblina que estendia seu manto brumoso sobre a já quase gélida madrugada, um vulto se movia lentamente por suas vielas e ruas estreitas e assustadoramente silenciosas e timidamente iluminadas por lampiões a gás colocados esporadicamente ao longo do percurso... Diante de tamanho e ensurdecedor silêncio, pairava no ar um clima impregnado de um silêncio misterioso, que impressionaria qualquer ser de espírito religiosamente supersticioso, e que fazia do repicar do solado das botas de tão misteriosa figura, ecoarem estridentes pela noite adentro, invadindo os becos escuros da cidade que transudava encantos míticos e medievais. Tinha-se a impressão do caminhar de um gigante ameaçador! Ao dobrar a esquina mais a frente onde na fachada de uma taberna medieval a iluminação era mais densa, a personagem permitiu se revelar, notada no delinear de um corpo cuja silhueta se revelava esbeltamente feminina. Tratava-se de uma jovem de uns vinte e cinco anos de idade, tipo manequim; um metro e oitenta de altura, massa corpórea com delineamento anatomicamente sensual e longos cabelos dourados a deslizarem esvoaçadamente ombros abaixo, o que lhe conferia uma ingênua e tentadora sexualidade implícita. O vestido longo e negro, finamente confeccionado, configurava à sua figura feminina o porte de uma deusa grega sonhada e desejada por todos os marmanjos e utópicos sonhadores do planeta terra! Chegando à taberna deteve-se na penumbra do minúsculo hall que dava acesso ao salão principal da taberna, onde funcionava um tradicional e secular restaurante, decorado com antiquários da época da sua inauguração, até mesmo os velhos candelabros com suas doze velas cada um... Por alguns segundos se deteve a observar os personagens em seu interior, aqueles que ocupavam mesas sem acompanhante; provavelmente procurava identificar alguém em especial, não demorou a decidir em qual direção seguir. – Vou levá-la até sua mesa jovem Diana, me acompanhe, por favor... Sem responder, e com um caminhar elegante, a jovem acompanhou o mais antigo garçom da casa. Sua mesa estava localizada num lugar estratégico – perto de uma pequena janela com vista angular privilegiada, o que lhe permitia observar com antecipação qualquer movimento fora do restaurante. Pierry, o garçom, no qual Diana depositava total e irrestrita confiança, afastou-se discretamente sem nada perguntar. Cinco minutos depois o garçom retornava com um champanhe que Diana mantinha na adega da casa, juntamente com outros rótulos de sua reserva exclusiva. Não demorou muito até que uma carruagem de algum serviço turístico parasse em frente à taberna e dela descesse um jovem cavalheiro com cerca de quarenta anos trajando um terno escuro, gravata pouco convencional, e sobre o terno um abrigo, também escuro. Cenho cerrado, cabelos escuros com algumas mechas grisalhas, aparência austera, manifestando-se com poucas palavras emitidas por uma voz tonitruante. Caminhou com pouca paciência em direção à mesa de Diana, puxou a cadeira e sentou-se sem qualquer cerimônia e a fitou invasivamente com um par de olhos azul-turquesa. – Não tenho muito tempo, vamos logo ao que interessa e depois me vou... Diana nada respondeu e manteve certa indiferença para aquela atitude grosseira do homem que acabara de sentar-se à sua mesa. Impassiva, ela aguardou que o indivíduo se manifestasse novamente. – E então, qual a informação que você tem para mim? – Desculpa, mas tenho a impressão de que o moço se sentou em mesa errada, está se dirigindo à pessoa errada e já passou da hora de se mandar, estou aguardando meu companheiro, cai fora antes que eu chame a polícia! Toda aquela arrogância se desmoronou num pedido de desculpas. O cavalheiro se recompôs levantando-se e tomando o caminho da saída. Quando ele já havia dado cerca de quatro passos Diana o chamou: Hei moço, quer se sentar, eu sou a pessoa que você veio encontrar, sente-se. Tire seu abrigo e deixa que Pierry o guarde na rouparia, por favor!... O homem de olhar severo não escondeu toda sua irritação com a atitude de Diana e a repreendeu dizendo que aquela era uma atitude infantil, ao que Diana retrucou: E a sua foi uma atitude grosseira, indigna de um cavalheiro... – Tem razão, queira me desculpar, mas não entendo porque essa necessidade de fingirmos não nos conhecer sempre que temos um encontro! Diana continuou ignorando conhecê-lo. – Imagino que o seu nome não é o que me falaste ao telefone, e muito menos não estou interessada no verdadeiro, portanto, a chave que permitirá que entremos em detalhes sobre o assunto que nos traz aqui é a senha, que imagino, Serphiuns tenha te passado, portanto vamos a ela... Dessa vez foi Karanth quem ignorou as observações da jovem. – Essa cidade é estranha, faz-me pensar na Távola redonda, Rei Arthur e seus cavaleiros. – Gosto do silêncio enigmático que existe nesta casa, nessa rua, nas construções milenares. Tudo isso tem o poder de envolver minha sensibilidade emocional. Paira sobre o ambiente certo mistério hórrido e ao mesmo tempo cheio de encantamento. – Faça-me um favor senhorita Diana, não subestime minha inteligência, não faz parte do seu perfil essa demonstração ridícula de romantismo. – Pensei que fôssemos ter um jantar à luz de vela, um nobre tinto para acompanhar um faisão ao forno, e depois, gentilmente você pagaria a conta! – O jantar não desceria e o vinho por certo azedaria diante de tanto sarcasmo: vamos ao que interessa, falemos sobre a informação que tem para me passar, e quanto você quer por ela! – Calma, a noite é uma criança, estamos apenas começando! Acredite, eu sou meticulosamente exigente quanto a um bom restaurante, e essa é uma das melhores cozinhas fora da região central parisiense em matéria de drinks e pratos requintados. O serviço é personalizado e cheio de charme. Você vai gostar... – Bem que me disseram que você é uma jovem de personalidade forte e dominadora, você e seus cães... – Não se preocupe, só aparecerão se eu estiver em perigo, o que não é o caso no presente momento, não é verdade Sr. Karanth? – Não creio nessa fantasia de cães fantasmas, e quanto à senhorita correr perigo, basta não se expor muito afoitamente, concorda? Diana entendia as dissimuladas ameaças de Karanth, mas não demonstrava qualquer tipo de preocupação, pois estava sempre à frente dos seus possíveis algozes em matéria de precauções quanto a sua segurança pessoal. – Sabia você que existem vários relatos sobre os cães negros vistos por várias testemunhas ao longo dos séculos; os povos da Antiguidade afirmavam que eram almas se manifestando em forma de animais e que tinham a missão de auxiliares de feiticeiros, ou porta-vozes de Satã! Dizem que eles geralmente aparecem no crepúsculo e por entre densa neblina. – Me dê um tempo menina, seção terror nesse momento, por favor, temos um assunto sério a tratar... Diana tinha um olhar penetrante, chegando mesmo a induzir seu interlocutor a certa timidez; parecia ler o pensamento de quem ousasse fitar dentro dos seus olhos. Seu perfume tinha uma fragrância inebriante e chegava a sugerir toda uma ductil sensualidade feminina da qual ela, sedutoramente, tinha conhecimento e não deixava de usar para enfeitiçar e encantar os homens... – Vamos pedir, sugeriu Karanth, e já que conhece o cardápio você tem a primazia! – Tudo bem, mas nada de salada de caranguejo kamchaka! – Concordo, foi uma experiência inadequada para aquela ocasião. – Vamos pedir o iraniano Borani Esfanaj, uma pasta de espinafre, um grelhado de esturjão, e um molho branco com queijo típico da região setentrional e um excepcional grand cru classé da Borgonha, pode ser o Domaine de La Rmané e Conti Montrachet 1985, concorda? – Como sabe que eles têm essa raridade aqui na casa? – Eu mesma trouxe, é minha exclusividade. O jantar, apesar do espírito mal humorado de Karanth decorreu num clima amistosamente saudável. A meia noite e quinze minutos o casal deixou o restaurante. Karanth esperou o cocheiro que havia chamado pelo celular. E enquanto aguardavam, Diana contou-lhe o segredo: espero que você esteja certa disso, não posso fracassar novamente, caso contrário estará me vendo com vida pela última vez... Diana sorriu e retrucou: se fracassares não será por minha culpa, pois o que informei a você é verídico. O coche chegou e karanth ofereceu carona à jovem que prontamente recusou. Karanth demonstrou preocupação e advertiu a jovem: É perigoso uma linda mulher vagar sozinha pela madrugada nessas ruas escuras e estreitas. – Não se preocupe, tenho meus guardiões! – Sei, ironizou karanth; os cães negros? – Está ficando esperto meu amigo, embora não acredite no que te contei... Karanth viu Diana se afastar seguida por dois vultos de ferozes cães de proporções físicas descomunais a desaparecerem por entre a névoa da madrugada, e Karanth murmura em movimentos interlabiais: “Diana sempre demonstrou comportamento estranhíssimo, mas magia e bruxaria é coisa nova!” O cocheiro deixou Karanth onde ele havia estacionado seu carro. Nas vielas estreitas, tal qual a ruazinha do restaurante, não transitavam carros, então os coches levavam e traziam os fregueses; Diana chega a seu palacete e perguntou ao seu mordomo se alguém havia ligado. O serviçal respondeu enquanto retirava cavalheirescamente o longo casaco da jovem e o pendura no velho mancebo: Sim, alguém ligou, mas não entendi perfeitamente o nome, algo parecido, ou da família das serpentes... – Seria Serphiuns, Fred? – Isso mesmo senhora, esse é o nome da pessoa que ligou! – Pode se recolher Fred, não vou mais precisar dos seus serviços por hoje. – Obrigado senhora, tenha uma boa noite... Diana não vai dormir; dirige-se para a biblioteca. Acionando alguns comandos, surge um painel à sua frente onde, além de um supercomputador, podem-se notar alguns objetos de operacionalidade complexa e uma imensa tela digitalizada; e ali Diana permanece até o Sol se por. A imensa porta da biblioteca se abre e surge Fredhaerch com uma bandeja e um suculento breakfast. Deixa sobre a mesa de trabalho e se retira em seguida. – Obrigada meu guardião... Enquanto isso, no Brasil... Um mês depois, Nando, o recepcionista atende dois policiais em busca de informações... – Fala “negão”, algum movimento suspeito por aqui? – Em primeiro lugar, bom dia; em segundo, meu nome é Fernando, Nando só para os chegados; em terceiro, negão é manifestação racista e quarto, tudo normal por aqui, sem novidades! – Não folga não Nando, estamos de olho nessa espelunca, advertiu o policial ao sair... Há dois dias o hóspede do quarto 21 não dá o ar da presença, mas Nando não quer despertar a curiosidade dos homens da lei antes de verificar o que está acontecendo. Vai até o 21 e bate à porta, chama pelo hóspede durante um pequeno tempo e resolve abrir a porta; o mau cheiro é insuportável e o homem está estirado e imóvel sobre a cama. Nando desce a escadaria correndo a tempo de chamar os policiais... Quando o corpo do hóspede é tocado, nota-se que está sem qualquer sinal vital; respiração, coração, certo grau de enrijecimento, etc. Todos estão com lenço no nariz, e saem para respirar... Enquanto isso, em Porto Saint Malo Serphiuns volta a telefonar para Diana: – Precisamos nos falar! – Onde você está? – Onde sempre estive! – Te encontro, me aguarde... Era um diálogo cifrado; sem endereço, sem horário. Não poderia haver risco ou hipótese de serem localizados. – Fred, se alguém perguntar sobre “NEO”, diga que ainda é desconhecido. Eu darei o retorno da ligação. – Está bem, assim será feito, mas o que é “NEO” jovem Diana? – Uma marca de café! – Interessante minha jovem, interessante! Fred percebeu que não deveria ter perguntado, tinha sido indiscreto; tratava-se de mais um segredo da patroa... Near-Earth Object (Objeto próximo do planeta Terra) Diana sabia que o sistema não contava com um aparato adequado para detectar e eliminar prováveis riscos de uma possível colisão cósmica entre a Terra e qualquer corpo que estivesse se deslocando pelo espaço rumo ao planeta... Apenas dez por cento de prováveis rotas poderiam ser vigiadas, além de, ter surgido nos últimos dias um novo fator que aumentava a probabilidade de uma surpresa desagradável. Há poucos anos atrás, dois corpos meteóricos passaram próximo do planeta, sendo que um deles foi detectado somente quatro dias após sua passagem. – De onde você veio, ou melhor, onde você estava? Diana deixa seu palacete e vai ao encontro de Serphiuns – Está chegando de onde? – Do Brasil! – Encontrou quem queria? – Não, parece que ele evaporou, ou deram um sumiço no infeliz... – Devem tê-lo mandado para o paraíso! – Provavelmente. – As mais diversas culturas possuem suas maneiras diferenciadas para interpretar ou definir o paraíso; pode ser um pomar cheio de frutos deliciosos; um reino fantástico ou mesmo um estado de espírito elevado a transcender a matéria... – A religião é um raciocínio de pensamentos e concepções paralelas a configurar um senso comum em torno de uma crença; São valores espirituais que transcendem a materialidade da lógica e da razão; declinando para a expectativa rotulada de fé. É um poder cultural regulador de ritos e costumes de povos como os judeus, cristãos, muçulmanos (fiéis das três maiores religiões monoteístas do mundo) voltados para a busca e o reencontro do caminho do paraíso perdido. Não esqueçamos que egípcios, astecas, indianos, budistas, e aborígines australianos, etc., também sonham com o paraíso perdido! – Temos o paraíso dos afrescos de Michelangelo, representado no vigor da sua arte na Capela Sistina; nos versos gregos de Hesíodo, e segue por ai afora, até chegarmos ao panteão do Olimpo, onde alguns homens viviam como semideuses, não precisavam trabalhar e não envelheciam... Colombo chegou ao paraíso no dia 1º de agosto de 1498, na terceira e última de suas viagens. Era o continente hoje conhecido como americano.
DO PARAÍSO AO INFERNO – Esse asteróide que passou sem ser notado, bem próximo do nosso planeta poderia ter causado uma catástrofe de dimensão incalculável, seria o desvio do caminho para o inferno; não conseguiram ou não tiveram condições para detectarem a massa cósmica quando passou mais perto, e a que ameaçou verdadeiramente a vida em nosso planeta... – Em abril de 2002 os cientistas e pesquisadores da NASA, identificaram o NEO com maiores chances de nos atingir. Estimam-se em 0,3% as probabilidades de que isso ocorra; é um impacto previsto para 2880, isso, após várias passagens sem qualquer risco de catástrofe. Convém ressaltar que a cada passagem desse asteróide, sua órbita poderá ser calculada com maior precisão. – Calculamos em cerca de um milhão de asteróides com mais de um quilômetro serpeiam pelo espaço cósmico, e com uma agravante. A não detecção desses dois NEOS que passaram próximo do nosso planeta expõe a verdadeira situação dos nossos astrônomos; que não estão devidamente preparados, ou não estão atentos para eventuais futuras surpresas que possam acontecer. – Essas surpresas são decorrências da enorme quantidade desses corpos viajando por ai, muito embora esse projeto “Guarda Espacial” não possa cobrir com a precisão necessária todo o espaço cósmico. Também se faz necessário levar em consideração os pontos cegos produzidos por determinados e constantes fenômenos óticos. – Estou ciente disso, mas existe outro aspecto a ser considerado e que está passando despercebido pelos astrônomos envolvidos na vigilância espacial. – Aspecto ou detalhe? – Os dois! Há que se pensar nos hipotéticos “buracos de minhoca” que se realmente existirem, nas teorias formuladas, poderão muito bem jogar em nossas caras um desses meteoritos ou qualquer outro elemento componencial cósmico de magnitude imprevisível sem que tenhamos tempo de qualquer de reação! Não podemos esquecer de que há sessenta e cinco milhões de anos atrás, um desses predadores cósmicos varreu a quase totalidade da vida existente no planeta, e poderá ocorrer novamente, aí, adeus paraíso! – Você não me convidou para esse encontro só para falar de hipotéticas concepções. O que realmente está te deixando preocupado? – Perdi contato com Seth, seu transreceptor deixou de funcionar. – Há quanto tempo vocês não se falam? – Desde a nossa última estada na Amazônia, cerca de dois meses. – Isso é mal, algo está errado! – Eu tenho certeza que sim, por isso te procurei... – Vou colocar uma equipe em sua procura, aguarde meu retorno Os dois se despediram e Diana se retirou para rumo e endereço ignorado; Serphiuns permaneceu por mais uma hora e, após dois telefonemas, também deixou o local onde estava...
CÉRBERO E VERÔNICA Diana vai ao encontro de Cérbero, outro de seus guardiões. – Como vai Cérbero, sua presença desperta em mim um pouco de ansiedade. – Não é para menos, encontrei Verônica. – E então? Sente-se, vou detalhar o meu encontro com ela, ou com o que restou da mesma. – Sim, mas antes quero saber se a trouxe. – Sim, eu a trouxe, mas quero te dar conhecimento do que vai encontrar. Tudo bem, conte de uma vez! Vou usar exatamente as formas, o conteúdo e suas palavras contidas em seu diário... Verônica, a guerreira, está semelhante ao retrato de Cecília, a jovem senhora a procura de si, que hoje tão estranha, se apresenta desnuda diante do mundo? Quem foi verônica que ficou na distante lembrança da juventude vencida, que outrora tão aguerrida e de alma vibrante, voluptuosa, ousada, corajosa? Quem foi a mulher cujas mãos fortes dominavam a espada de aço como se fosse um raio, golpeando no ar a fúria inimiga? Mas hoje, na penumbra de seu tenebroso recôndito, refugiada e acuada no terror de um brumoso passado, frágeis mãos entrelaçam-se revelando uma ansiedade covarde que assola sua alma e não lhe permite olhar no espelho temendo enfrentar o real momento. Arrebatou um cálice de absinto, se enveredou na abstração de um devaneio, e num desvario insano de consciência, conspurcou-se ao dissoluto sua “alma santa”. Diletante da divina melodia que insistia em soar no obscuro pensamento, insipiente o branco véu ela rasgou num frêmito suspirar de um tormento. Anos já se passaram desde que, desencantada com a visão dum mundo fétido e num momento infrene afastou-se sorrateiramente num desterro paradeiro onde se ocultou. Foi a fuga da mulher, da companheira e da amante, até que a ausência da guerreira se notou. Cerraram-se então as cortinas do seu palco e silenciaram-se os aplausos após sua última frase e em seu gesto. Dedo em riste, olhar lancinante, entre lábios balbuciou: Foi apenas um sonho, um delírio, mas finalmente terminou... Ali estava ela, irreconhecível! Não era uma mulher, era um trapo, um traste, não havia lembranças ou resquícios da guerreira que fora só restara um pálido rascunho mal elaborado da deidade guerreira. Triste figura opaca e revestida de uma profunda amargura, revelada em seu semblante envelhecido, em seu corpo cambo e definhado. Podia-se ler em sua mente confusa e mergulhada em silenciosas palavras o seu grito desesperado ecoando nos céus do seu imaginário, tinha a conotação amarga de um angustiante pedido de socorro... Em sua indômita juventude tivera a imprudente ousadia de se aventurar em paixões insanas e de acreditar no ingênuo ideal onde o bem combatia o mal. Alguns minutos de silêncio são quebrados por uma voz tumular, trêmula, quase que um fio de lamentação: fui covarde, deveria ter envelhecido junto com ele, viver a existência comum dos mortais; participar e dividir seus sentimentos suas fraquezas, suas expectativas, suas dúvidas e seu tempo biológico, confidenciou-me ela. Sentou-se numa velha poltrona num canto escuro do seu quarto, segurou com suas mãos trêmulas no ar uma taça de espumante já quase vazia; não que tinha bebido, mas o líquido esvaia-se pelas bordas no balancear da taça. Ironicamente me fitou com seu olhar sem vida, sorriu um sorriso fúnebre e bradou um “viva” com requinte e carregado de um mórbido e sarcástico prazer, digno de compaixão... Eu a procurei por um longo tempo e enquanto a procurava, mil cenas se passaram por minha imaginação, mas confesso que não tive a capacidade de ousar tanto; o que encontrara causou-me um choque indescritível; chocou minha capacidade de compreender a razão, por mais forte que fosse o motivo de alguém tão nobre se deixar degradar além do limite do suportável da lógica e de qualquer princípio mínimo e da razão. Seria um ato penitência? Meu Deus! Exclamei angustiado... Por que isso? Você não chegou ao fundo do poço, você chegou ao fundo da cisterna, pois está mais para um monte de merda do que para um farrapo humano! – Vá embora, ordenou verônica rispidamente, vá e não diga a ninguém que me encontrou e muito menos o que viu; respeite pelo menos a memória do que fui, me pediu ela. Verônica não entendera que eu estava ali para levá-la e não para vê-la. Não se tratava de uma vontade pessoal, mas de uma ordem superior. Ocorre que o império queria submetê-la a um julgamento, fazer dela um exemplo. CONTINUA...
jJ. ROBERTO DE CARVALHO - jerrece@hotmail.com - serphiuns@ig.com.br - Poetas & Filósofos, no Blig do Ig em ciênciasA AMAZONAS É NOSSA, QUEM DUVIDAR QUE VENHA TOMÁ-LA! |
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Agradeço a sua visita! A AMAZÔNIA É NOSSA, QUEM DUVIDAR VENHA TOMÁ-LA - essa é minha campanha. abrace-a comigo! Um abraço...seja sempre bem vindo.
Orestes Reyes A.wrote:
Hola. mucha suerte y salud.
Aug. 27
Ya Baki Entel Baki SEMRAwrote:
HOLA ...
Aug. 7
mELanYwrote:
h0la sol0 pasE a salUdaR espEr0 que enTyenDas bye
Aug. 2
Orestes Reyes A.wrote:
Saudações Roberto. Tenho visitado o seu espaço e acho isso muito bom e interessante. Desejo-lhe muito sucesso e felicidade
July 30
roberto de carvalhowrote:
Fico feliz com sua amizade, seja bem vinda!
July 26
Magnoliawrote:
Hallo Roberto, thank you very much for your friendship,
nice to be friends with you,
Magnolia
July 23
hülya hülyawrote:
ciao
July 21
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